O ex-diretor da CIA, John Brennan, defendeu a destituição do presidente Donald Trump ao abrigo da 25.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, alegando incapacidade para o exercício das funções.
Durante uma entrevista, Brennan afirmou que Trump “está claramente fora de si”, apontando como fundamento as declarações do presidente sobre o Irão e a possibilidade de um conflito de grande escala.
O antigo responsável dos serviços de inteligência norte-americanos sustentou que o Irão não possui armas nucleares nem representa uma ameaça iminente, contrariando a narrativa apresentada por Trump. “O Irão não possuía armas nucleares (...) a avaliação constante dos serviços de informações era de que não representava uma ameaça iminente”, afirmou.
Brennan acusou ainda o presidente de ignorar relatórios dos serviços secretos, referindo que Trump tem desvalorizado consistentemente os profissionais da inteligência e privilegiado decisões baseadas no seu próprio julgamento.
A 25.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, adoptada em 1967, prevê mecanismos para a substituição do presidente em caso de incapacidade física ou mental, podendo o poder ser transferido para o vice-presidente.
Apesar das críticas, a aplicação da emenda depende do apoio do vice-presidente JD Vance e de uma maioria qualificada no Congresso, cenário considerado pouco provável no actual contexto político.
Paralelamente, crescem as críticas dentro do próprio campo conservador, com figuras ligadas ao movimento político de Trump a manifestarem discordância em relação às suas posições sobre política externa.
O debate em torno da capacidade presidencial e do uso da 25.ª Emenda volta a ganhar força nos Estados Unidos, num contexto de crescente polarização política e tensões internacionais.