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João Lourenço mantém confiança em Jú Martins após circulação de vídeos privados: “chantagem política”

O Presidente do MPLA, João Lourenço, reuniu-se na passada quinta-feira, 21, com o seu mandatário para as questões do congresso do partido, João de Almeida Azevedo Martins, numa altura marcada pela circulação de alegados vídeos privados atribuídos ao dirigente político.

Segundo informações avançadas pelo Club-K, o encontro contou igualmente com a presença da vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, e serviu para abordar assuntos ligados ao próximo congresso do partido, previsto para dezembro deste ano.

De acordo com fontes próximas do processo, João Lourenço terá rejeitado qualquer hipótese de afastamento de Jú Martins das suas funções políticas, interpretando a divulgação dos vídeos como uma alegada tentativa de chantagem interna destinada a enfraquecer a estratégia do congresso partidário e atingir indirectamente a sua liderança.

As mesmas fontes indicam que o Presidente considerou não existirem fundamentos políticos ou disciplinares para afastar o dirigente, sustentando que Jú Martins não é candidato à presidência do MPLA.

Nos bastidores do partido, o dirigente era apontado como potencial candidato ao cargo de secretário-geral após o congresso de dezembro, cenário que, segundo relatos, poderá ter aumentado tensões internas.

As informações disponíveis indicam ainda que os vídeos em circulação terão sido captados em 2014, período em que Jú Martins mantinha relações empresariais com parceiros israelitas ligados a negócios em Angola.

Segundo as alegações associadas ao caso, os desentendimentos surgiram após divergências financeiras e disputas pelo controlo de uma empresa comum, tendo posteriormente evoluído para processos judiciais.

Fontes ligadas ao processo afirmam que Jú Martins terá acusado os antigos parceiros de provocarem prejuízos superiores a cinco milhões de dólares, enquanto os empresários estrangeiros alegavam perseguição política e judicial.

Entre os nomes mencionados no processo constam Tal Eliaz e Voimoy Atia, também conhecido como Royi Atia, ambos associados a condenações por crimes de abuso de confiança e branqueamento de capitais.

Relatos indicam ainda que, antes do rompimento das relações empresariais, Jú Martins teria solicitado aos parceiros a instalação de sistemas de videovigilância na sua residência e escritório. Após o conflito, teria sido descoberto que os empresários mantinham alegadamente acesso remoto ao sistema de monitorização.

Segundo as mesmas fontes, os conteúdos chegaram a ser apresentados junto da Procuradoria-Geral da República, mas a magistrada responsável terá entendido que os vídeos não configuravam ilícito criminal, por envolverem adultos em contexto privado.

Nos círculos internos do MPLA, Jú Martins é frequentemente descrito como um dos principais estrategas políticos do partido, sendo associado à formulação de linhas de comunicação e orientação ideológica da organização.

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