A Sub-comissão de Candidaturas ao 9.º Congresso Ordinário do MPLA confirmou oficialmente esta sexta-feira, 5 de junho, a candidatura de João Lourenço à presidência do partido. A decisão transforma a anterior pré-candidatura do actual líder do MPLA numa candidatura formal para a liderança da maior força política angolana.
O anúncio foi feito por Job Capapinha, presidente da Sub-comissão de Candidaturas, durante uma comunicação realizada na sede do partido. Segundo o responsável, João Lourenço é, até ao momento, o único candidato oficialmente validado para concorrer ao cargo de presidente do MPLA.
De acordo com os dados apresentados, a candidatura submeteu mais de 11 mil assinaturas de apoio, das quais cerca de 10 mil foram consideradas válidas. Os estatutos do partido exigem um mínimo de cinco mil assinaturas para formalizar uma candidatura.
A validação responde igualmente às dúvidas levantadas por alguns militantes e observadores relativamente à rapidez com que a equipa de João Lourenço recolheu os apoios necessários. A candidatura apresentou milhares de assinaturas cerca de 48 horas após o anúncio da intenção de concorrer.
A oficialização da candidatura acontece num contexto de crescente tensão interna. No mesmo dia em que foi anunciada a validação, o Novo Jornal noticiou que Higino Carneiro apresentou um pedido de impugnação da candidatura de João Lourenço.
Segundo a reclamação, existem alegadas irregularidades associadas ao processo conduzido pela equipa de campanha do actual presidente do MPLA. Entre as preocupações levantadas estão questões relacionadas com a recolha de apoios e o cumprimento das normas internas do partido.
O documento apresentado pela candidatura de Higino Carneiro inclui ainda um pedido para a realização de uma auditoria independente aos ficheiros submetidos pela candidatura de João Lourenço à Sub-comissão de Candidaturas.
O MPLA prepara o seu 9.º Congresso Ordinário, marcado para dezembro, numa altura em que se discute o futuro da liderança partidária e os desafios políticos dos próximos anos. João Lourenço lidera simultaneamente o partido e o Executivo angolano, sendo uma das figuras centrais da política nacional desde 2017.