O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, condenou os confrontos registados no último fim-de-semana na província do Uíge e defendeu que os responsáveis pelos episódios de violência não devem interpretar o sucedido como uma oportunidade para novos actos de intolerância política.
Os confrontos provocaram pelo menos 31 feridos, dez dos quais em estado grave, segundo os dados apresentados no contexto dos incidentes registados a partir de sábado, 8 de Agosto.
Falando terça-feira, 11 de Agosto, à imprensa, depois de uma audiência com responsáveis da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, CEAST, o líder da UNITA manifestou preocupação com o impacto dos acontecimentos na estabilidade política e social do país.
Adalberto Costa Júnior questionou igualmente a acumulação das funções de governador provincial e primeiro secretário do MPLA no Uíge. Na sua leitura, essa situação pode resultar numa desigualdade no exercício da actividade política, sobretudo quando partidos da oposição enfrentam limitações que, segundo afirma, não são aplicadas da mesma forma ao partido no poder.
“O governador da província do Uíge não pode pensar que pode ser simultaneamente 1º secretário do MPLA e governador provincial”, afirmou o presidente da UNITA.
Preocupação com o período pré-eleitoral
O dirigente da UNITA defendeu que a sociedade civil e outras entidades com intervenção na sociedade devem acompanhar o caso e exigir responsabilização pelos acontecimentos.
Para Adalberto Costa Júnior, a questão ultrapassa a disputa partidária e envolve a necessidade de preservar a paz e a estabilidade no país.
O líder da UNITA voltou também a condenar aquilo que classificou como “brutalidade policial”, atribuindo ao Governo de João Lourenço responsabilidade pelo ambiente de intolerância política que, na sua avaliação, se verifica no país.
A preocupação ganha maior peso tendo em conta a aproximação das próximas Eleições Gerais, previstas para 2027. Adalberto Costa Júnior afirmou esperar que os acontecimentos no Uíge não tenham servido como uma espécie de “experimentação” num contexto pré-eleitoral.
O que aconteceu no Uíge?
Os confrontos ocorreram durante as preparações para o acto central comemorativo do 92.º aniversário de Jonas Savimbi, fundador da UNITA, e para o acampamento nacional da JURA, organização juvenil do partido.
Os incidentes envolveram grupos de jovens associados ao MPLA e à UNITA e levaram a Polícia Nacional a interditar alguns acessos e a estabelecer um forte dispositivo de segurança nas imediações da sede provincial da UNITA.