A Canal+ assumiu o controlo directo das principais decisões estratégicas da MultiChoice, transferindo para Paris a aprovação de conteúdos e a aquisição de direitos desportivos da DStv.
De acordo com fontes do sector, a MultiChoice e a M-Net deixaram de ter poder decisório sobre a aprovação de produções locais. Contratos de séries e novelas para canais como kykNET e Mzansi Magic estariam a aguardar validação na sede francesa. Em paralelo, conteúdos importados começam a ocupar horários estratégicos, sinalizando uma possível reorientação editorial.
No segmento desportivo, a SuperSport também perdeu autonomia na escolha de direitos de transmissão. As decisões passaram a ser tomadas directamente pela direcção de conteúdos da Canal+ em Paris, num contexto de controlo de custos comunicado aos investidores. Entre os efeitos já observados está a não aquisição dos Jogos Olímpicos de Inverno, situação considerada inédita por muitos assinantes da DStv.
A centralização começa igualmente a ter reflexos em Angola. Produtoras locais que tradicionalmente desenvolviam conteúdos para o universo DStv enfrentam agora processos de aprovação mais longos, maior incerteza contratual e dependência de validação externa. Os projectos passam a competir directamente com conteúdos internacionais dentro de uma lógica de optimização financeira global.
Com as decisões concentradas na Europa, a DStv entra numa nova fase estratégica, em que a gestão de portefólio e controlo de custos assumem primazia. Para mercados como o angolano, onde a produção audiovisual vinha consolidando espaço e consistência, o desafio será preservar relevância num modelo cada vez mais centralizado.
