O Presidente da República, João Lourenço, determinou a realização de uma inspeção ao Ministério do Interior de Angola, com o objetivo de apurar alegadas incongruências na execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2025, na sequência de uma denúncia remetida ao seu gabinete.
Para o efeito, o Chefe de Estado acionou o inspector-geral, que mobilizou uma delegação da Inspecção-Geral da Administração do Estado para conduzir os trabalhos inspetivos. A equipa está encarregue de analisar a conformidade dos processos financeiros e administrativos no seio do ministério.
Entre as principais suspeitas estão alegadas irregularidades na aquisição de armamento, incluindo possível interferência indevida no processo, bem como a compra e distribuição de cerca de 400 viaturas com recursos que teriam sido inicialmente destinados a um projeto biométrico. Este projeto, desenvolvido por um consórcio privado, terá sido interrompido, com redirecionamento parcial dos fundos.
A inspeção abrange igualmente a execução de projetos inscritos no OGE 2025, alguns dos quais levantam dúvidas quanto à sua real necessidade ou existência. É o caso do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) em Luanda, já operacional desde 2021, mas novamente incluído no orçamento, e da alegada construção de uma residência oficial que não terá sido materializada, apesar da previsão de financiamento.
Outros projetos sob análise incluem a reabilitação da Direção Provincial do Serviço Penitenciário de Luanda, com uma dotação significativa, e a implementação de uma fábrica de passaportes e documentos de alta segurança, cuja execução terá sido interrompida.
Inicialmente prevista para um período de um mês, a inspeção foi sucessivamente prorrogada devido ao volume de irregularidades detetadas, encontrando-se atualmente no terceiro mês. As autoridades procuram agora determinar o destino das verbas públicas e apurar eventuais responsabilidades internas.
Fonte: Club-k.net
