A Unitel formalizou um direito de resposta e rectificação ao artigo intitulado "Africell bate Unitel e lidera desempenho de internet móvel em Angola", da autoria do jornalista José Gonga, publicado pelo Jornal Expansão a 24 de Abril de 2026, invocando o artigo 40.º da Constituição da República de Angola e o artigo 73.º e seguintes da Lei de Imprensa.
O artigo original baseou-se no barómetro anual da nPerf, plataforma francesa independente de medição de velocidade, que entre Abril de 2025 e Março de 2026 atribuiu à Africell 36.409 pontos nPerf, superando a Unitel em 4.320 pontos; a operadora americana destacou-se com a melhor latência média geral de 53,3 milissegundos, melhor fluidez nos navegadores, melhor desempenho em streaming e crescimento de 63% na velocidade de download face ao ano anterior.
Os analistas da nPerf reconheceram que o mercado angolano é altamente competitivo entre as duas principais operadoras, com a Africell a conquistar a primeira posição enquanto a Unitel mantém fortes vantagens técnicas em métricas de velocidade importantes.
A Unitel contesta a validade das conclusões do artigo em quatro frentes. Em primeiro lugar, questiona a metodologia da plataforma nPerf, descrevendo-a como "omissa quanto ao volume e à qualidade da amostra" e considerando que essa limitação deveria ter aconselhado "prudência redactorial" em vez de uma "generalização categórica". Em segundo lugar, invoca os dados da Ookla referentes ao mesmo período; segundo a Unitel, esses dados, "suportados em amostra estatística sólida", registam vantagens da operadora superiores a 30% em download e a 80% em upload, além de equivalência em latência; e recorda que, em Novembro de 2025, a Ookla lhe atribuiu o Speedtest Award como melhor rede móvel de Angola e da África Central, distinção que o artigo omitiu por completo.
Em terceiro lugar, a Unitel contesta a afirmação de que a Africell lidera em 4G "pelo quarto ano consecutivo", argumentando que o relatório nPerf do período anterior consagrou a própria Unitel como número um em 4G nas métricas de download e de latência; "a tese dos quatro anos consecutivos é, portanto, contrariada pelos próprios dados da plataforma que o Artigo invoca como fonte", afirma a empresa. Em quarto lugar, a operadora assinala que o artigo, embora reconheça que a Africell opera apenas em seis províncias do país, apostando numa estratégia focada em centros urbanos e corredores económicos, omite que a Unitel cobre as vinte e uma províncias do território nacional, assimetria que considera "factor essencial para a correcta interpretação dos dados".
A Unitel identifica ainda uma contradição interna no próprio artigo: ao reconhecer um crescimento de 34% na velocidade de download da sua rede, o texto contraria a tese de "falta de investimento em infraestruturas" que apresenta como argumento de fundo.
O artigo do Jornal Expansão reconheceu que a Africell opera apenas em seis das vinte e uma províncias do país, optando por uma estratégia de expansão em centros urbanos e corredores económicos, e que o ritmo de entrada de novos clientes na rede da Unitel não tem sido acompanhado de investimento em infraestruturas, o que acaba por congestionar a rede da operadora.
A Unitel exige a publicação integral do direito de resposta "em defesa do seu bom nome e dos legítimos interesses do público leitor". O Jornal Expansão não se pronunciou publicamente sobre a resposta até ao momento de publicação desta peça.
