O presidente do PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku, afirmou no sábado, durante uma marcha realizada no município do Sambizanga, em Luanda, que vai dirigir um "Governo divino" em 2027, invocando quatro episódios em que sobreviveu a situações de risco de vida como evidência de uma missão atribuída por Deus.
Na mesma ocasião, reagiu pela primeira vez publicamente ao caso da "caixa térmica", acusando os seus autores de estarem "frustrados com o crescimento do PRA-JA."
Chivukuvuku descreveu os episódios com detalhe: dois acidentes de avião em 1983 e 1985, nos trajectos entre Kinshasa e Angola, e um confronto em 1992 no Sambizanga, durante o qual afirmou ter sido o único sobrevivente num veículo.
"Estes acontecimentos todos são por acaso?", questionou perante os seus militantes, concluindo que a sobrevivência justifica uma missão política para salvar Angola, que descreveu como um país a enfrentar "desafios profundos."
O caso da "caixa térmica" tem origem num vídeo amplamente partilhado nas redes sociais angolanas, no qual o deputado da UNITA e secretário provincial do partido em Luanda, Adriano Sapinala, afirmou que imagens a circular mostram Chivukuvuku a receber uma caixa com alegadas quantias avultadas em dólares, entregues pelo general Bento dos Santos Kangamba, figura ligada ao MPLA. Sapinala fez as declarações durante um acto realizado em Paris e defendeu que Chivukuvuku devia ser preso por corrupção activa, comparando o caso a processos judiciais contra Nicolas Sarkozy e José Sócrates.
O PRA-JA negou as acusações, classificou-as como difamatórias e apresentou queixa criminal na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal da Procuradoria-Geral da República em 8 de maio. Sapinala, por sua vez, afirmou que levará as imagens a tribunal como prova. A autenticidade das imagens não foi verificada por nenhuma entidade independente. O PRA-JA não reconhece a sua veracidade.
O processo judicial está em curso. O PRA-JA foi legalizado pelo Tribunal Constitucional em outubro de 2024, após um processo iniciado em 2019, tornando-se a 11.a força política legalmente habilitada em Angola. As eleições gerais estão previstas para 2027.