Oku Saka

Isabel dos Santos acusa João Lourenço de gerir Angola "sem rumo" e anuncia que não apoiará o MPLA se actual liderança se mantiver

Isabel dos Santos declarou-se "decepcionada" com a governação do Presidente João Lourenço, em entrevista concedida esta quarta-feira à Rádio Essencial, emissora sediada em Luanda. A empresária afirmou que o país "está a navegar sem rumo", com pobreza e desemprego, e que regrediu ao longo de quase dez anos de mandato, não tendo "atingido o patamar em que deveria estar".

 Nas declarações à emissora, criticou a política fiscal da Administração Geral Tributária, que considerou estar a "sufocar empresas", e as que descreveu como "atrocidades" da justiça angolana, que no seu entender afastam investidores estrangeiros. Defendeu que Angola necessita de uma economia funcional assente na confiança e na justiça, e que os impostos actuais são "desnecessariamente altos" numa economia ainda frágil. 

Quanto às oito acusações de alegada utilização indevida de fundos públicos que sobre si pendem nos tribunais angolanos, Isabel dos Santos reiterou tratar-se de "acusações falsas" motivadas por "divisões internas do MPLA" e por "revanchismo" político, afirmando ser usada como instrumento político por ser filha do antigo Presidente. 

Fora de Angola desde o início do mandato de João Lourenço, a empresária garante não poder regressar ao país devido a alegada perseguição política tutelada pela Procuradoria-Geral da República. 

Isabel dos Santos, que se autodescreveu como "militante de base" do MPLA, manifestou esperança no próximo governo resultante das eleições gerais de 2027, mas deixou um aviso claro: não apoiará o MPLA se João Lourenço continuar à frente do partido após o IX Congresso Ordinário, agendado para 9 e 10 de Dezembro. "Mesmo que seja o MPLA o partido vencedor, espero que seja outro governo e outra liderança", afirmou. 

As declarações surgem num momento de tensão crescente no interior do partido no poder, com múltiplas candidaturas à presidência do MPLA anunciadas para o congresso de Dezembro, e a menos de um ano das eleições gerais de 2027.

Enviar um comentário

Deixe a sua opinião

Postagem Anterior Próxima Postagem

Pub

Oku Saka
Oku Saka