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Protestos de professores mexicanos colocam em risco abertura do Mundial 2026 na Cidade do México

A cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo de 2026 está ameaçada por manifestações de professores que bloquearam os principais acessos ao Estádio Azteca, na Cidade do México, onde está agendado para esta quinta-feira, 11 de junho, às 13h00 locais, o jogo inaugural entre o México e a África do Sul. O governo mexicano mobilizou mais de 10 mil agentes de segurança para garantir a realização do encontro.

A Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), sindicato de professores em greve desde a semana passada, exige aumentos salariais, a extinção de um órgão administrativo governamental conhecido como USICAMM e a revogação de uma lei que agravou as condições das reformas dos funcionários públicos. O governo da presidente Claudia Sheinbaum considera as medidas inviáveis e não cedeu às exigências.

Marcelino Rodarte, secretário-geral da Secção 58 da CNTE, deixou um aviso directo à imprensa: "No dia 11 de junho, a bola não vai rolar se não houver resposta para os professores organizados, para estas pessoas de quem a presidência está agora a criar uma enorme distância, preferindo ficar do lado dos poderosos e ricos em vez do povo."

Sheinbaum garantiu, na segunda-feira, que a cerimónia de abertura se realiza conforme previsto. A presidente recusou o uso de força policial contra os manifestantes e acusou grupos externos de tentar instrumentalizar o protesto para gerar repercussão internacional antes do Mundial. "Há grupos que querem nos provocar, e eles não são necessariamente professores; o que eles buscam é repressão", declarou.

Para mitigar o risco de bloqueios, as autoridades definiram rotas alternativas para a chegada das selecções ao recinto, que tem capacidade para 87 mil espectadores. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) afirmou estar a acompanhar a situação e disse confiar que as autoridades mexicanas assegurarão a segurança do evento.

O México torna-se, com este torneio, o primeiro país da história a sediar três edições do Campeonato do Mundo, depois de ter organizado a competição em 1970 e 1986. O país recebe 13 jogos distribuídos entre a Cidade do México, Monterrey e Guadalajara. A competição, com 48 selecções pela primeira vez, decorre até 19 de julho, coorganizada pelos Estados Unidos, México e Canadá.

A tensão em torno do jogo inaugural não se limita ao conflito laboral. O México enfrenta também questões de segurança sanitária, com críticas à ausência de um protocolo público de contenção do Ébola, e pressão diplomática relacionada com a presença da selecção do Irão, que solicitou à FIFA a transferência dos seus jogos do território norte-americano para o México, pedido que foi recusado.

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