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Angolanos são segundo maior grupo estrangeiro a comprar casa em Portugal, atrás dos brasileiros

 Em 2025, os angolanos adquiriram 4.145 imóveis em Portugal, pagando em média 244 mil euros por transacção, o que representa um crescimento de 2,2% face ao ano anterior. O grupo ficou como o segundo maior comprador estrangeiro de habitação em Portugal, responsável por 2,8% do total das transacções realizadas por não residentes, num mercado liderado pelos brasileiros com 9.808 transacções.

Os dados constam do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, que indica que os estrangeiros foram responsáveis por 28% das compras de habitação em Portugal em 2025. Os principais países de origem foram o Brasil, Angola e França.

No crédito à habitação, a posição dos angolanos repete-se: representaram 6% do crédito concedido por bancos portugueses a não residentes estrangeiros, atrás apenas dos brasileiros, que concentraram 44% do total.

Os motivos que levam as famílias angolanas a investir em Portugal são sobretudo estruturais. A procura de estabilidade, acesso a serviços de saúde e educação para os filhos figuram entre os factores principais. Mas as condições de financiamento constituem um elemento determinante na decisão. Em Portugal, as taxas de juro para crédito à habitação situam-se entre 3,0% e 3,5%. Em Angola, o Aviso 9 do Banco Nacional de Angola fixa um tecto máximo de 7%, mas os bancos angolanos mantêm uma postura historicamente conservadora na concessão deste tipo de crédito, o que restringe o acesso ao financiamento interno.

A diferença efectiva entre as condições de financiamento nos dois países traduz-se num incentivo económico concreto para investir fora de Angola. Num contexto em que o mercado imobiliário de Luanda enfrenta dificuldades estruturais de acesso ao crédito e de previsibilidade regulatória, o mercado português oferece um quadro jurídico estável, taxas mais baixas e liquidez mais elevada.

Os números de 2025 confirmam que a saída de capitais angolanos para o mercado imobiliário português não é um fenómeno pontual. É uma tendência consolidada, com crescimento consistente, e que reflecte decisões tomadas ao nível das famílias, não apenas dos grandes investidores.

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