A operadora de telecomunicações Movicel atravessa uma das fases mais críticas da sua história, depois de encerrar o ano de 2025 com apenas 302.579 clientes, o que representa uma perda de 79,76% da sua base de subscritores em comparação com 2021.
Nos últimos quatro anos, a empresa perdeu cerca de 1,192 milhões de clientes, reduzindo a sua quota de mercado para apenas 1%, num sector cada vez mais competitivo.
A forte redução da carteira de clientes colocou a operadora numa situação de falência técnica, comprometendo a execução do plano de recuperação e tornando a continuidade das operações dependente de uma nova injecção de capital por parte dos accionistas.
Entre os factores apontados para a deterioração da empresa estão a degradação da rede de telecomunicações, a escassez de investimento e as dificuldades financeiras acumuladas, que limitaram a capacidade da Movicel para competir com as restantes operadoras do mercado.
O futuro da empresa dependerá, em grande medida, de um novo apoio financeiro dos accionistas, particularmente do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), um dos principais investidores da operadora.
A evolução da situação poderá influenciar não apenas a continuidade da Movicel, mas também o equilíbrio concorrencial no mercado angolano das telecomunicações.
Fundada em 2003, a Movicel foi uma das primeiras operadoras de telefonia móvel em Angola e chegou a ocupar uma posição de destaque no mercado. Nos últimos anos, porém, enfrentou dificuldades financeiras, perda de competitividade e redução da sua base de clientes, num contexto marcado pelo crescimento de novos operadores e pela crescente exigência dos consumidores.