A taxa de emprego em Angola subiu para 44,2% no II trimestre de 2026, contra os 42,3% registados no trimestre anterior, representando um aumento de 1,9 pontos percentuais, segundo dados do Inquérito sobre o Emprego em Angola (IEA), divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, INE.
No período em análise, a população empregada com 15 ou mais anos foi estimada em 10.171.244 pessoas, contra 9.562.740 no primeiro trimestre. O aumento corresponde a 6,4%, ou mais 608.504 pessoas empregadas.
Apesar do crescimento da população empregada, os dados revelam também uma subida do desemprego, mostrando que a evolução do mercado de trabalho angolano continua marcada por contrastes.
Mais pessoas empregadas, mas também mais desempregadas
A população desempregada com 15 ou mais anos foi estimada em 2.790.821 pessoas, contra 2.593.206 no trimestre anterior. O número representa um aumento de 7,6% no espaço de três meses.
A taxa de desemprego situou-se nos 21,5%, com uma diferença significativa entre homens e mulheres. Entre as mulheres, a taxa chegou aos 23,3%, enquanto entre os homens ficou em 19,8%.
Os números mostram que, apesar da melhoria da taxa de emprego, uma parcela expressiva da população economicamente activa continua sem conseguir encontrar uma ocupação.
Jovens continuam entre os mais afectados
A situação é particularmente preocupante entre os jovens. A taxa de desemprego entre a população dos 15 aos 24 anos atingiu 40,5%, o valor mais elevado entre os grupos etários analisados.
No grupo dos 25 aos 34 anos, a taxa de desemprego situou-se em 21,1%.
Já no que diz respeito à população empregada, o grupo etário dos 35 aos 44 anos concentra a maior parcela dos trabalhadores empregados no país.
Homens continuam à frente das mulheres
A diferença entre homens e mulheres também permanece evidente nos indicadores de emprego.
A taxa de emprego dos homens foi estimada em 47,0%, enquanto entre as mulheres ficou em 41,6%, uma diferença de 5,4 pontos percentuais.
No desemprego, ocorre o inverso: as mulheres apresentam uma taxa superior à dos homens, com 23,3% contra 19,8%.
Os números indicam que as mulheres continuam a enfrentar maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho formal e remunerado, embora os dados do IEA, por si só, não expliquem as causas dessa diferença.
Diferenças entre o meio urbano e rural
Nas áreas urbanas, a taxa de emprego atingiu 48,2%, enquanto nas áreas rurais ficou em 35,6%.
A diferença de 12,6 pontos percentuais evidencia uma realidade distinta entre os dois espaços de residência e pode estar relacionada com as diferentes estruturas económicas, oportunidades de emprego e níveis de actividade existentes no meio urbano e rural.
Um crescimento que exige leitura cuidadosa
Os dados do II trimestre apresentam, portanto, uma realidade que não pode ser resumida apenas à subida da taxa de emprego.
Por um lado, mais de 10 milhões de pessoas estavam empregadas e a taxa de emprego aumentou de 42,3% para 44,2%.
Por outro, o número de desempregados também cresceu 7,6%, enquanto mais de quatro em cada dez jovens entre os 15 e os 24 anos que integram a população activa permanecem desempregados.
