O escritor angolano Lucas Cassule participou, como prelector, numa sessão dedicada à literatura angolana, realizada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Portugal.
O encontro aconteceu a convite da professora Doris Wieser e permitiu ao escritor apresentar aspectos da sua produção literária e conversar com estudantes sobre as obras de outros autores angolanos contemporâneos, as suas influências e perspectivas para o futuro.
Durante a sessão, também foram abordados os desafios do processo editorial em Angola, com particular destaque para a É Sobre Nós, editora ligada à actividade literária de Cassule.
Estudantes de diferentes nacionalidades analisaram a literatura angolana
Um dos momentos destacados pelo escritor foi a possibilidade de ouvir interpretações de estudantes de diferentes nacionalidades sobre a sua escrita e sobre a forma como as narrativas literárias podem representar a cultura e as vivências angolanas.
Para Lucas Cassule, a presença numa instituição académica para falar sobre literatura e leitura assume particular importância num contexto em que considera que o livro tem vindo a perder espaço e valorização.
“Estar numa academia, diante de estudantes, a conversar sobre literatura e leitura é, para mim, um enorme privilégio.”
A sessão contou também com a participação de investigadores e professores, que contribuíram com perguntas, sugestões e reflexões sobre a literatura e a produção editorial.
Literatura como registo das sociedades
Lucas Cassule destacou ainda o trabalho da professora Doris Wieser, que, segundo o escritor, demonstra conhecimento sobre a produção literária de diferentes geografias e sobre os processos históricos, políticos e sociais dos países estudados.
Na perspectiva apresentada pelo escritor, a literatura desempenha um papel importante no registo das experiências colectivas, permitindo conhecer diferentes povos e sociedades através das suas narrativas.
Durante o encontro, três contos de Lucas Cassule foram seleccionados pela professora Doris Wieser para serem trabalhados pelos estudantes em grupos.
No final, o escritor agradeceu à Universidade de Coimbra e à professora pelo convite, bem como aos estudantes, investigadores e professores presentes.
Cassule classificou a experiência como “transformadora e reveladora” e manifestou o desejo de que a iniciativa possa abrir espaço para a participação de outros autores angolanos em encontros académicos semelhantes.
