O antigo Presidente da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló confirmou a intenção de disputar as próximas eleições presidenciais e anunciou o seu regresso ao país para 4 de Outubro, depois de vários meses fora do território nacional.
A candidatura foi confirmada pelo próprio numa declaração à revista Jeune Afrique: “Sim, serei candidato.” A AFP também confirmou que Embaló pretende concorrer às presidenciais de 6 de Dezembro.
Embaló foi afastado do poder na sequência da intervenção militar de 26 de Novembro de 2025, que interrompeu o processo eleitoral então em curso. Desde então, permaneceu no exterior, tendo fixado residência em Marrocos, segundo a imprensa internacional.
Conselho de Transição admite regresso
O anúncio do antigo chefe de Estado foi recebido sem indicação de impedimento por parte do Conselho Nacional de Transição.
O porta-voz do órgão, Fernando Vaz, afirmou que qualquer cidadão guineense tem o direito de regressar ao país e participar no processo eleitoral, desde que reúna as condições previstas na legislação.
O próprio Embaló apelou, entretanto, a que o seu regresso decorra num ambiente de harmonia e respeito mútuo. Numa mensagem divulgada nas redes sociais, defendeu que o interesse nacional e a estabilidade devem prevalecer sobre as divergências políticas.
Oposição questiona condições políticas
O anúncio ocorre num contexto de transição política liderada pelos militares. A junta marcou para 6 de Dezembro as eleições presidenciais e legislativas, apresentadas como parte do processo de regresso à ordem constitucional.
O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, citado no material de origem, considera que o regresso de Embaló deveria ser um acto normal de um cidadão guineense, mas questiona as condições políticas existentes para o exercício dos direitos dos diferentes actores políticos.
Simões Pereira encontra-se actualmente em Portugal, depois de ter obtido autorização temporária para deixar a Guiné-Bissau por razões relacionadas com o seu estado de saúde. Segundo o material fornecido, a autorização tem validade até 22 de Outubro de 2026.
Eleições marcadas para Dezembro
As eleições de 6 de Dezembro deverão ocorrer num novo enquadramento constitucional. O processo de transição inclui uma nova Constituição que, segundo análises internacionais, reforça os poderes do Presidente da República. O referendo constitucional foi realizado em Agosto, num processo contestado pela oposição.
Com o anúncio da candidatura, Umaro Sissoco Embaló regressa ao centro da disputa política guineense, num processo eleitoral que decorrerá menos de um ano depois da sua saída do poder.
A candidatura deverá ser apresentada pela Plataforma Republicana, de acordo com as informações divulgadas pela imprensa sobre o regresso do antigo Presidente.