Oku Saka

Médicos angolanos denunciam desvalorização salarial e carência de recursos nos hospitais

Os baixos salários pagos aos profissionais de saúde em Angola continuam a agravar a carência de médicos no país, que necessita de cerca de 26 mil profissionais para responder à procura diária pelos serviços de saúde. O alerta foi feito pelo presidente do Sindicato Nacional dos Médicos Angolanos (SINMEA), Adriano Manuel.

Em declarações à imprensa, o dirigente sindical afirmou que a fraca remuneração tem contribuído para o afastamento de médicos do sistema público de saúde e para o desemprego de profissionais, uma situação que considera injustificável face às necessidades do sector.

Além dos baixos salários, Adriano Manuel destacou dificuldades estruturais nos hospitais, como a escassez de medicamentos, falta de materiais gastáveis e insuficiência de recursos humanos, factores que comprometem a qualidade da assistência médica prestada à população.

O presidente do SINMEA sublinhou ainda que muitos hospitais de formação carecem de condições adequadas, sobretudo ao nível de equipamentos, reagentes e meios para exames clínicos, o que prejudica o processo de ensino e afecta negativamente a preparação dos médicos recém-formados.

A mesma preocupação é partilhada pelo especialista em saúde pública Jeremias Agostinho, que alertou para o impacto da desvalorização salarial e da estagnação nas carreiras médicas. Segundo o especialista, muitos profissionais permanecem entre 10 e 20 anos na mesma categoria, sem progressão, o que gera frustração, desmotivação e contribui para a saída de quadros do sistema público.

As preocupações foram manifestadas por ocasião do Dia Nacional dos Médicos Angolanos, assinalado a 26 de janeiro, numa altura em que a classe médica volta a defender melhores salários, valorização profissional e melhoria das condições de trabalho no sector da saúde em Angola.

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