Combustível em falta: Sonangol culpa os boatos, enquanto Dengote assume papel estratégico no abastecimento africano

Várias províncias angolanas estão a experienciar problemas no abastecimento de combustíveis e gás de cozinha, com Luanda a registar uma escassez que ganha contornos de crise. 

Em resposta, a Sonangol Distribuição e Comercialização veio a público afastar qualquer ligação direta entre os constrangimentos nacionais e a crise energética global que afeta o continente.

Segundo o comunicado da petrolífera estatal, as falhas no mercado interno resultam exclusivamente de um crescimento repentino e atípico da procura. Esta corrida aos postos de abastecimento foi motivada por rumores de uma suposta crise na oferta, gerando uma pressão acrescida sobre a cadeia logística, especialmente em Luanda e nas províncias de Benguela, Huíla e Namibe. A empresa assegura que se trata de constrangimentos temporários e que o país dispõe de stock suficiente para responder às necessidades, estando em curso um plano de estabilização por via terrestre e marítima.

Contudo, este cenário coincide com uma crise severa que atinge dezenas de países africanos, como o Quénia, a Etiópia, a Tanzânia e a RDC. A instabilidade global decorre da guerra no Médio Oriente e do consequente encerramento do Estreito de Ormuz, uma rota vital por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás mundial. Com o barril de Brent a oscilar entre os 90 USD e os 100 USD nos últimos meses, os países dependentes da importação de refinados enfrentam custos duplicados e capacidade reduzida nas refinarias internacionais.

No centro desta tempestade geopolítica, a Refinaria Dengote, na Nigéria, emergiu como um elemento mitigador na região central e ocidental de África. Com capacidade para processar 650 mil barris por dia, a infraestrutura do homem mais rico de África tem acelerado a exportação de refinados para países como Togo, Gana e Camarões, ocupando o espaço deixado pelo Médio Oriente. 

Este mercado de excedentes representa também uma oportunidade futura para Angola, que projeta refinar entre 350 a 400 mil barris por dia quando as unidades do Soyo, Cabinda e Lobito estiverem totalmente operacionais.

Fonte: NJ 

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