O catedrático angolano Carlos Feijó defende que a qualidade do corpo docente deve ser uma prioridade no combate à pobreza de aprendizagem. Para o académico, a qualidade de um sistema de ensino deve ser avaliada pelas competências adquiridas pelos alunos e não apenas pelo número de escolas construídas.
Durante a sua participação no podcast Capital Humano, Feijó afirmou que parte do investimento feito em infra-estruturas deveria ser direccionada para a formação e qualificação dos professores.
“O primeiro elemento para se inverter a situação de pobreza de aprendizagem é a qualidade do corpo docente. Este deve ser a prioridade absoluta no sistema de ensino”, afirmou.
O académico defendeu investimento na formação de professores em todos os níveis de ensino e destacou outros factores que podem influenciar a aprendizagem, como o ambiente familiar, o acesso a materiais, a nutrição e a saúde das crianças.
Feijó considerou ainda os primeiros anos de escolaridade decisivos para o desenvolvimento das bases cognitivas e linguísticas. A posição coloca a formação docente e as condições de aprendizagem como elementos centrais para melhorar os resultados do sistema educativo.
A discussão surge num contexto em que a expansão da rede escolar é acompanhada pelo desafio de garantir qualidade no processo de ensino. Para Feijó, construir infra-estruturas responde a uma necessidade de acesso, mas não determina, por si só, aquilo que os alunos aprendem.
A melhoria das competências dos estudantes dependerá, segundo a perspectiva apresentada pelo académico, de professores melhor preparados e de condições que favoreçam a aprendizagem dentro e fora da escola.
Para Carlos Feijó, o desafio da educação não está apenas em construir mais escolas, mas em garantir que os alunos saiam delas com competências capazes de melhorar as suas perspectivas futuras.