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Adalberto Costa Júnior diz que aumento do gasóleo é consequência de décadas sem estratégia industrial

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, considerou que o aumento do preço do gasóleo anunciado pelo Governo é consequência directa da ausência de uma estratégia industrial consistente ao longo das últimas décadas, acusando o Executivo de falhar na construção da soberania energética do país.


A reacção surge depois da actualização do preço do litro de gasóleo de 400 para 420 kwanzas, medida enquadrada pelo Governo no processo gradual de retirada dos subsídios aos combustíveis.

Segundo Adalberto Costa Júnior, a actual situação resulta de anos de dependência da importação de combustíveis refinados, apesar das elevadas receitas petrolíferas arrecadadas pelo Estado.

"O aumento do preço do gasóleo não é inevitável, é consequência de 24 anos de paz sem estratégia industrial."

O líder da UNITA questionou os resultados alcançados pelo país desde a independência, destacando que Angola herdou a Refinaria de Luanda em 1975 e, apesar dos recursos gerados pelo sector petrolífero, continua sem uma rede robusta de refinarias em funcionamento.

Adalberto apontou a Refinaria de Cabinda como concluída mas ainda inoperante, referiu que a Refinaria do Lobito continua em construção e classificou a Refinaria do Soyo como um projecto sucessivamente adiado.

"Em cinco décadas, não se investiu verdadeiramente no sector nuclear da nossa economia. É inaceitável."

Para o dirigente da oposição, a falta de capacidade nacional de refinação contribui para a vulnerabilidade do país perante as oscilações do mercado internacional e para o aumento do custo de vida.

Por sua vez, o Executivo sustenta que a actualização dos preços faz parte da estratégia de eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis, uma medida que considera necessária para reduzir a pressão sobre as contas públicas.

O Governo argumenta que os subsídios representam uma despesa significativa para o Orçamento Geral do Estado e que os recursos libertados poderão ser direccionados para outras áreas prioritárias do desenvolvimento nacional.

Angola é um dos maiores produtores de petróleo de África, mas continua a depender fortemente da importação de combustíveis refinados para abastecer o mercado interno.

Nos últimos anos, o Executivo tem apostado na construção e expansão de refinarias nacionais como forma de reduzir essa dependência e aumentar a capacidade de transformação local do petróleo.

A retirada gradual dos subsídios aos combustíveis começou em 2023 e tem provocado sucessivos reajustes nos preços da gasolina e do gasóleo, gerando debates sobre os seus impactos sociais e económicos.

O aumento do preço do gasóleo tem efeitos directos sobre os custos de transporte, logística, produção agrícola e distribuição de mercadorias, podendo repercutir-se no preço final de vários bens e serviços.

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