Em 2014, mais de mil famílias foram retiradas dos casebres do bairro Kilombo, na Chicala, em Luanda, com destino ao município da Quiçama, na província do Icolo e Bengo; a promessa feita pelo Governo Provincial de Luanda e pela extinta Comissão Administrativa da CACL era de que receberiam moradias em curto prazo. Doze anos depois, as residências prometidas nunca chegaram, as famílias continuam nas matas, sem água, sem luz e sem saneamento básico.
Sob a liderança do então governador Graciano Domingos, o GPL comprometeu-se com um prazo de três meses para a entrega das casas; esse prazo foi ultrapassado há mais de onze anos.
"Estamos a navegar mal aqui", afirma Adriano Zambe, que desde 2014 mora contra a sua vontade com a família numa casa de chapa enferrujada, na Ilha Dourada; zona classificada pelo próprio GPL como "zona de risco" e que contrasta, nas palavras do morador, com a realidade social que conhecia antes.
O caso dos desalojados da Chicala insere-se num padrão mais amplo e documentado de promessas não cumpridas em processos de realojamento forçado em Angola; em 2010, cerca de 1.700 famílias foram retiradas da Chicala e do Kilombo para o Zango, num processo que à época gerou protestos pelo desfasamento entre o número de famílias cadastradas e o número real de habitantes da zona; outros processos semelhantes, como o do Panguila e o de Muxima, registaram igualmente denúncias de violações de direitos e ausência de condições mínimas nos locais de realojamento.
Os moradores recordam o argumento que justificou a sua saída: viviam na Chicala, numa "zona de risco"; hoje habitam noutra zona de risco, desta vez sem as condições que tinham antes e sem as que lhes foram prometidas para o futuro. O Governo local não respondeu ao questionário enviado em Abril pela equipa do Novo Jornal.