A TAAG, Linhas Aéreas de Angola, activou um plano de contingência que incluiu a contratação temporária de técnicos de manutenção reformados para assegurar a continuidade das operações durante a primeira fase da greve dos trabalhadores do sector, realizada entre 11 e 15 de Outubro de 2026.
A paralisação foi convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA), na sequência do impasse nas negociações com a administração da companhia aérea, sobretudo em relação às reivindicações salariais.
O conflito opõe a pretensão dos trabalhadores de obterem um aumento salarial acumulado de 100% até Dezembro de 2027 à contraproposta de 20% apresentada pela administração da transportadora.
Divergências salariais mantêm impasse
Segundo Joaquim Martins, líder do STMA, os trabalhadores consideram insuficiente a proposta apresentada pela administração, por entenderem que não responde à perda do poder de compra provocada pelo custo de vida.
O sindicalista apontou igualmente diferenças remuneratórias entre os técnicos de manutenção e os pilotos como uma das questões que alimentam a insatisfação dos trabalhadores.
«Os técnicos de manutenção da TAAG reclamam um aumento salarial, porque acham que o custo de vida actual não satisfaz o valor que lhes é aferido no salário, de forma geral, além de outros problemas, do quanto ganha um piloto, um comandante», afirmou Joaquim Martins.
A divergência entre os valores reivindicados pelo sindicato e a proposta da administração constitui o principal obstáculo à obtenção de um acordo.
A reivindicação de um aumento acumulado de 100% até ao final de 2027 não deve ser confundida com um reajuste imediato dessa dimensão. Trata-se de uma pretensão salarial com um horizonte temporal definido.
Sindicato contesta recurso a técnicos reformados
Durante a paralisação, a TAAG anunciou a activação de um plano de contingência destinado a reduzir os efeitos da greve sobre a programação dos voos. Entre as medidas adoptadas esteve o recurso a técnicos de manutenção reformados.
A decisão foi contestada por António Alberto, membro do STMA, que defendeu a necessidade de a administração procurar uma solução negocial com os trabalhadores em greve.
«Estão reformados. Já foram contratados temporariamente para garantir os trabalhos, a nossa preocupação é esta, é garantir que o avião tenha um visto bom, que se tenha a aprovação de um técnico qualificado. Estão reformados», declarou.
A posição do representante sindical expressa a contestação à medida adoptada pela companhia. Contudo, as declarações apresentadas não constituem, por si só, prova de que os profissionais contratados não possuam as qualificações necessárias ou de que tenham ocorrido falhas de segurança.
A avaliação de eventuais incumprimentos dos requisitos técnicos de manutenção e aeronavegabilidade exige elementos concretos e, quando aplicável, informações das autoridades competentes.
TAAG anunciou realização dos voos programados no primeiro dia
No primeiro dia da greve, domingo, 11 de Outubro, a TAAG informou ter realizado os 37 voos programados sem registar cancelamentos.
Para os restantes dias da primeira fase da paralisação, a companhia previa assegurar entre 94,9% e 95,3% dos voos programados, admitindo dois cancelamentos por dia ao abrigo do plano de contingência.
Os dados divulgados pela transportadora referiam-se às previsões operacionais para o período entre 11 e 15 de Outubro. Não devem, por isso, ser interpretados como indicadores da operação actual nem como confirmação do número final de voos realizados durante toda a paralisação.
A manutenção da actividade durante a greve foi apresentada pela companhia como resultado das medidas de contingência adoptadas para minimizar os constrangimentos aos passageiros.
Novas fases de greve previstas até Dezembro
A primeira fase da paralisação terminou a 15 de Outubro, sem que o material disponibilizado para esta notícia permita confirmar a existência de um acordo salarial entre as partes.
O calendário anunciado pelo sindicato prevê mais três períodos de greve: de 6 a 10 de Novembro, de 5 a 10 de Dezembro e de 19 a 23 de Dezembro de 2026.
A concretização dessas paralisações dependerá da evolução do processo negocial e de eventuais entendimentos entre a administração e os representantes dos trabalhadores.
