Tribunal volta a decretar prisão preventiva de agente da DIIP acusado de homicídio no Morro Bento

O Tribunal voltou a determinar a manutenção da prisão preventiva de Hélder Dimas Paulino, efectivo da Polícia Nacional afecto ao Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), acusado de homicídio qualificado pela morte de Fernando Castelo, de 24 anos, numa bomba de combustível, no Morro Bento, em Luanda.


O arguido tinha sido restituído à liberdade provisória na sequência de uma decisão fundamentada no excesso de prisão preventiva. Contudo, poucas horas depois, o tribunal terá revertido essa decisão e determinado a manutenção da medida de coacção.

O processo corre termos na 5.ª Secção da Sala dos Crimes Comuns. De acordo com fontes do Tribunal da Comarca de Luanda, a alteração da decisão está relacionada com os critérios legais de adequação e proporcionalidade previstos no Código de Processo Penal.

As mesmas fontes terão questionado a competência para determinar a libertação do arguido, alegando que, por ter sido detido mediante mandado, a reapreciação da manutenção da prisão deveria caber ao juiz de garantias.

Discussão numa loja de conveniência terminou em morte

O caso remonta a 22 de Novembro de 2025, quando começaram, durante a madrugada, por volta das 02h00, numa loja de conveniência de uma bomba de combustível, no Morro Bento.

Fernando Castelo dirigiu-se à caixa para efectuar um pagamento. No mesmo local encontrava-se Hélder Dimas Paulino, que, embora estivesse à civil, transportava uma pistola e terá exigido atendimento imediato, sem aguardar pela sua vez.

A situação terá originado uma discussão entre ambos. Posteriormente, já no exterior da loja, o agente terá efectuado um disparo contra o jovem e abandonado o local.

Os amigos da vítima socorreram-na e transportaram-na para a Clínica Multiperfil. No entanto, o jovem de 24 anos terá dado entrada na unidade de saúde já sem vida.

O caso ganhou repercussão pública após a circulação de vídeos nas redes sociais que mostram o momento dos disparos.

Detenção após tentativa de saída do País

Hélder Dimas Paulino terá tentado abandonar o território nacional por via terrestre, através da Namíbia, mas acabou por ser detido pela Polícia Nacional na província do Cunene.

O agente responde por homicídio qualificado. A acusação, por si só, não equivale a uma condenação, cabendo aos órgãos judiciais apreciar as provas e determinar a eventual responsabilidade criminal.

Co-arguido também terá sido libertado

No mesmo processo, José Manuel Vasco, acusado de favorecimento pessoal por alegadamente ter dado cobertura ao principal arguido, terá sido igualmente restituído à liberdade por excesso de prisão preventiva.

A situação dos dois arguidos é distinta, uma vez que as acusações e os respectivos enquadramentos penais não são os mesmos.

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