Marcha contra violência sexual em Luanda termina com detenções
Protesto em memória de Belma reuniu jovens e mamãs zungueiras, mas foi marcado por intervenção policial
Jovens de várias zonas de Luanda realizaram uma marcha contra o abuso sexual e a violência, em memória da jovem Belma, vítima de agressão brutal nos últimos dias. A iniciativa visava denunciar a violência sexual e exigir justiça, num contexto de crescente indignação social.
Manifestação percorreu centro da cidade
Empunhando cartazes com mensagens fortes e uma lona com o rosto de Belma, os manifestantes caminharam do Comando Provincial de Luanda até ao Largo 1.º de Maio, entoando cânticos de repúdio e apelos à responsabilização criminal. A marcha decorreu inicialmente sob escolta da Polícia Nacional.
Adesão popular reforça protesto
O protesto ganhou maior dimensão com a participação das mamãs zungueiras, que se juntaram ao grupo com palavras de revolta e solidariedade, dando maior visibilidade à causa e ampliando o impacto simbólico da manifestação.
Intervenção policial e detenções
Apesar de os organizadores afirmarem ter cumprido todos os trâmites legais para a realização da marcha, agentes da Polícia Nacional, alguns fardados e outros à paisana, intervieram durante o protesto, alterando a rota previamente definida.
Segundo informações e imagens divulgadas nas redes sociais, a intervenção culminou na detenção dos seguintes activistas: Kennedy, Dago Nível, Pelviana, Rosa Conde, Monge O Grande, Melissa Francisco, Ngana Dibelo e Isabel Augusto.
Contestação à actuação das autoridades
Os manifestantes alegam que estavam conscientes dos seus direitos e que a intervenção policial ocorreu à margem da lei, levantando preocupações quanto ao respeito pelo direito constitucional à manifestação pacífica.
Até ao momento, não houve um pronunciamento oficial da Polícia Nacional sobre as detenções efectuadas durante o protesto. O caso reacende o debate sobre liberdade de manifestação, actuação policial e protecção dos direitos cívicos em Angola.

