O jornalista angolano José Gama, fundador do portal de notícias Club-K, afirmou que os retrocessos no processo democrático em Angola continuam a exigir a intervenção ativa de jornalistas e ativistas, mesmo após décadas de envolvimento cívico. As declarações foram feitas durante a sua participação no podcast Gozaqui, ao ser questionado sobre a sua motivação depois de 26 anos de carreira.
Segundo José Gama, apesar das lutas contínuas pela democratização do país, persistem problemas graves relacionados com direitos fundamentais. O jornalista criticou a aprovação de leis que, no seu entender, violam garantias constitucionais dos cidadãos, considerando que estas situações representam claros retrocessos democráticos.“O país e o angolano não estão realizados. Continuam a prender pessoas, e isso mostra que a nossa intervenção ainda é necessária”, afirmou, acrescentando que, embora muitos militantes cívicos já pudessem estar reformados, o contexto político e o próprio regime acabam por obrigá-los a continuar na luta.
José Gama destacou ainda a perceção de que jornalistas angolanos no exterior são vistos como mais livres para noticiar casos sensíveis. Segundo explicou, familiares de vítimas tendem a contactar profissionais fora do país, por receio de censura ou represálias contra jornalistas que atuam em território nacional.
Na sua análise, o fundador do Club-K considera que o regime dá prioridade à imagem internacional, recorrendo frequentemente à propaganda para moldar perceções externas, mesmo quando persistem problemas internos como detenções arbitrárias, dificuldades económicas e restrições às liberdades fundamentais.
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