31 pessoas ficaram feridas, dez das quais com gravidade, durante confrontos registados no sábado junto à sede provincial da UNITA, no Uíge, segundo informações prestadas à agência Lusa pelo secretário-geral da JURA, Nelito Ekukui.
Os incidentes ocorreram quando a Polícia Nacional cercou as instalações do partido para impedir a realização de uma actividade política relacionada com a IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, que assinalava o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.
Segundo Nelito Ekukui, os feridos com maior gravidade continuam internados, enquanto os que sofreram ferimentos ligeiros receberam alta ainda durante a noite de sábado. O dirigente afirmou que entre os feridos está uma mulher que sofreu ferimentos profundos no rosto após uma queda e referiu também casos que, segundo a sua versão, terão resultado de disparos com munições de "caçadeira".
A JURA afirma que os militantes estavam concentrados em frente ao secretariado provincial quando a Polícia Nacional iniciou o lançamento de gás lacrimogéneo, levando os participantes a refugiarem-se no interior da sede. Segundo o dirigente, foram posteriormente estabelecidas barreiras policiais e interditados os acessos à zona.
A Polícia Nacional apresenta outra versão. Em declarações à Televisão Pública de Angola, a chefe do Departamento de Comunicação Institucional da Polícia no Uíge, superintendente-chefe Luís Freitas Jamba, justificou a intervenção com a realização de uma actividade partidária num local considerado impróprio, junto ao Tribunal da Comarca.
Segundo a responsável, a concentração junto a órgãos de soberania e o encerramento de ruas para a realização da actividade levaram ao accionamento das forças policiais para impedir o acto naquele local.
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acusou as autoridades locais de terem criado um "estado de guerra" no Uíge e adiou o acto central, classificando o episódio como expressão de intolerância política.
O Bloco Democrático e o PRA-JÁ Servir Angola também repudiaram a actuação policial e defenderam o esclarecimento dos acontecimentos e a responsabilização dos eventuais responsáveis.
O episódio ocorre num contexto de crescente preparação política para as eleições gerais previstas para 2027, num período marcado também pela preparação dos principais partidos para os próximos ciclos internos e eleitorais.
Até ao momento, as informações sobre o número de feridos e a natureza exacta dos ferimentos têm como principal fonte a JURA, enquanto a Polícia Nacional confirmou a intervenção, mas apresentou uma justificação diferente para a operação.