Lei contra Fake News entra em vigor em Angola e prevê até 10 anos de prisão por informações falsas na internet

A Lei Contra Informações Falsas na Internet foi publicada no Diário da República e já está oficialmente em vigor em Angola. O diploma, aprovado pela Assembleia Nacional em Maio deste ano, estabelece penas de prisão que podem chegar aos 10 anos, consoante a gravidade da infracção.

Publicada na Lei n.º 6/26, na I Série, n.º 146, de 4 de Agosto de 2026, a legislação permite que os tribunais responsabilizem criminalmente pessoas cuja disseminação de informações falsas na internet seja comprovada.

O diploma prevê penas de um a três anos de prisão para a divulgação de informações falsas, três a oito anos quando o conteúdo incitar ao ódio ou afectar o bom nome e a reputação de pessoas ou instituições, e até 10 anos quando colocar em causa processos eleitorais ou a segurança do Estado.

Além da responsabilização individual, a lei impõe novas obrigações às plataformas digitais, que passam a ter de adoptar mecanismos de transparência e de remoção de conteúdos, podendo também ser responsabilizadas pelo incumprimento dessas obrigações.

A proposta foi apresentada pelo Executivo e aprovada com os votos favoráveis do MPLA, FNLA, PRS e PHA, enquanto a UNITA votou contra, alegando que o diploma contém normas contraditórias e poderá abrir espaço para a criminalização de jornalistas e utilizadores das redes sociais.

O maior partido da oposição defende ainda que a lei representa uma ameaça ao debate público e à liberdade de expressão. Já o MPLA sustenta que a iniciativa visa combater a desinformação organizada e proteger os cidadãos, defendendo que a internet não pode funcionar sem regras.

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