O músico angolano Matias Damásio apelou aos jovens para continuarem a acreditar no potencial de Angola, defendendo que a emigração pode ser uma opção legítima, mas não deve ser motivada por expectativas construídas a partir das aparências das redes sociais.
Em entrevista à Revista Oku Saka, o artista abordou a realidade de muitos jovens que procuram oportunidades no estrangeiro e defendeu uma decisão mais consciente sobre emigrar.
“Continuem a acreditar no país. A emigração não é mal. Os outros países emigram”, afirmou.
Para Matias Damásio, sair do país não deve ser encarado como uma derrota ou como a única possibilidade de construir uma vida melhor. O músico considera que, quando a emigração acontece, deve estar sustentada por objectivos concretos.
“Se emigrarem, emigrem por motivos bem concretos, não com as ilusões do Instagram, pois há muita gente que passa uma verdade que não é verdade”, alertou.
Oportunidades dentro de Angola
Apesar de reconhecer a legitimidade da emigração, Matias Damásio defendeu que Angola ainda oferece inúmeras oportunidades que podem ser aproveitadas, sobretudo por jovens com formação profissional e competências técnicas.
“Aproveitem a oportunidade de Angola que tem muita coisa para fazer, muita coisa para investir, muitos projectos”, afirmou.
O músico apontou particularmente para a necessidade de profissionais técnicos, destacando áreas como carpintaria, electricidade e outras profissões especializadas.
“Precisamos de carpinteiros, electricistas, jovens técnicos”, disse.
A mensagem surge num contexto em que muitos jovens associam as melhores oportunidades profissionais à capital do país ou ao estrangeiro. Para Matias Damásio, essa visão pode limitar a percepção sobre o potencial existente noutras regiões.
“Não olhem só para Luanda”
O artista apelou a uma visão mais abrangente do território nacional.
“Angola é um país enorme, não olhem só por Luanda, olhem pelo país inteiro”, afirmou.
Na perspectiva do músico, o desenvolvimento de Angola passa também pela capacidade de identificar oportunidades fora da capital e aproveitar os recursos económicos, sociais e culturais existentes nas diferentes províncias.
Matias Damásio chamou atenção ainda para fenómenos culturais que, segundo considera, continuam vivos em Angola enquanto desapareceram ou perderam força noutros lugares.
“Temos um país com um potencial muito grande, onde ainda existe a micha e tantos outros fenómenos que vão alimentando a nossa cultura. O que lá fora já terminou, aqui ainda existe”, afirmou.
Para o artista, estes elementos podem ser encarados não apenas como parte da identidade cultural angolana, mas também como oportunidades que podem ser organizadas e transformadas em valor.
Um apelo à construção colectiva
A mensagem de Matias Damásio não é contra a emigração. O músico reconhece que procurar oportunidades fora do país faz parte da realidade de várias sociedades, mas defende que os jovens devem fazê-lo com informação, preparação e objectivos claros.
Ao mesmo tempo, considera que aqueles que permanecem em Angola também podem desempenhar um papel importante na transformação do país.
“ Acho que podíamos aproveitar essa oportunidade e fazer todos, organizar a nossa terra se for possível”, concluiu.
Entre a possibilidade de procurar oportunidades no estrangeiro e a necessidade de aproveitar o potencial interno, Matias Damásio deixa uma mensagem essencialmente pragmática: emigrar pode ser uma escolha, mas acreditar em Angola também pode ser uma estratégia.