O domínio básico de informática já não representa, por si só, um diferencial significativo num currículo. A avaliação é da estrategista de dados Nícia Fernandes, que defende uma mudança na forma como os profissionais devem encarar as competências tecnológicas no actual mercado de trabalho.
Em entrevista à Oku Saka, a especialista recordou que, há mais de uma década, possuir formação em informática poderia colocar um candidato em vantagem durante um processo de recrutamento. Hoje, considera que a realidade é diferente.
“Eu trabalho há mais de 13 anos e quando comecei o curso de informática era um diferencial, mas hoje não, hoje é meio que uma obrigação.”
Informática básica deixou de diferenciar
Segundo Nícia Fernandes, saber utilizar um computador tornou-se uma competência tão fundamental quanto outras capacidades básicas exigidas no ambiente profissional.
“Saber trabalhar com o computador é como saber escrever”, afirmou, defendendo que o simples domínio das ferramentas básicas já não é suficiente para distinguir um candidato dos restantes.
A especialista entende que o diferencial está actualmente naquilo que o profissional consegue produzir através da tecnologia, e não apenas na capacidade de utilizar um computador.
Excel avançado e Power BI podem fazer a diferença
Entre as competências que considera mais valorizadas, Nícia Fernandes destacou o domínio avançado de ferramentas de análise e visualização de dados.
“Se hoje tiveres um curso de Excel avançado, é um diferencial”, afirmou.
A estrategista acrescentou que conhecimentos relacionados com visualização de dados e criação de dashboards, nomeadamente através do Power BI, também podem fortalecer o perfil profissional de um candidato.
A tendência acompanha uma transformação mais ampla no mercado, em que o conhecimento de ferramentas digitais passa a ser avaliado sobretudo pela capacidade de resolver problemas, interpretar informação e apoiar decisões.
A própria Nícia Fernandes trabalha na área de análise de dados e apresenta experiência associada a Power BI, visualização de dados, Excel e Business Intelligence.
Competências que continuam a atravessar gerações
Apesar da crescente importância das competências tecnológicas, a especialista considera que existem capacidades que permanecem fundamentais independentemente da época ou da evolução das ferramentas.
Entre elas, destaca a comunicação e o conhecimento de línguas.
“Existem questões que costumo dizer que são transversais para todas as épocas, como, por exemplo, a comunicação e saber uma língua. Isso acaba por ser fundamental e não é sobre tecnologia”, explicou.
Para Nícia Fernandes, a tecnologia não elimina a importância das competências humanas. Pelo contrário, quanto mais ferramentas digitais entram no mercado, maior pode ser a necessidade de profissionais capazes de comunicar, interpretar informação e transformar conhecimento técnico em resultados.
O novo diferencial está na aplicação
A reflexão da estrategista aponta para uma mudança importante na construção de um currículo: deixar de apresentar apenas ferramentas dominadas e demonstrar o que se consegue fazer com elas.
Um candidato que apenas indique “conhecimentos de informática” pode ter pouca capacidade de diferenciação. Já alguém que demonstre domínio avançado de Excel, análise de dados, criação de dashboards ou utilização de Power BI apresenta competências mais específicas e directamente aplicáveis ao trabalho.
A questão, portanto, já não será apenas saber usar um computador, mas saber usar a tecnologia para resolver problemas e gerar valor.
“Trabalhar com o computador já não é um diferencial, é uma obrigação”, concluiu Nícia Fernandes.
A evolução tecnológica está a mudar aquilo que as empresas consideram um diferencial profissional, colocando cada vez mais peso na capacidade de aplicação prática das ferramentas.