Anna Joyce aponta falta de investimento e estrutura como obstáculos ao surgimento de novos talentos

A artista angolana Anna Joyce considera que o surgimento de mais artistas com trajectórias semelhantes à sua depende da construção de uma indústria musical mais sólida, profissionalizada e capaz de apoiar talentos desde as primeiras etapas das suas carreiras.


A reflexão foi feita em entrevista à Revista Oku Saka, quando a cantora foi questionada sobre o que considera faltar para que Angola tenha mais “Anna Joyces”.

“Eu acho que falta investimento, acho que falta criarmos uma indústria mais sólida”, afirmou.

Mais profissionais para a música

Na perspectiva da artista, o desenvolvimento da música angolana não depende apenas do aparecimento de cantores talentosos. É necessário criar uma cadeia profissional capaz de sustentar as diferentes etapas de uma carreira artística.

Anna Joyce defende, por isso, a existência de mais profissionais ligados à produção, distribuição e edição musical.

“Termos mais produtores, mais distribuidores, mais editores, termos mais gente a trabalhar na música”, explicou.

Para a cantora, quanto mais estruturado for esse ecossistema, maiores serão as possibilidades de os artistas concentrarem-se na criação e desenvolverem carreiras sustentáveis.

“Termos escolas de música”

Outro ponto destacado por Anna Joyce é a formação.

A artista considera fundamental que existam mais escolas de música onde crianças e jovens possam desenvolver as suas capacidades e descobrir o potencial artístico que possuem.

“Termos escolas de música para as pessoas poderem explorar o seu talento”, defendeu.

A questão, segundo Anna Joyce, torna-se ainda mais relevante porque muitos talentos não chegam sequer a iniciar uma carreira artística por falta de apoio familiar.

“Há muitas pessoas, meninas e rapazes com talento, mas os pais não deixam cantar porque acham que a arte não vale a pena”, revelou.

A cantora entende que esta percepção precisa de mudar, sobretudo num momento em que a música e outras áreas criativas podem representar não apenas formas de expressão cultural, mas também oportunidades profissionais.

Uma indústria que está a crescer

Apesar das críticas às limitações existentes, Anna Joyce não considera que a música angolana esteja parada.

Pelo contrário, a artista reconhece uma evolução significativa desde o início da sua carreira.

“Hoje está bem melhor do que há 12 anos, quando eu comecei”, afirmou.

A cantora demonstra ainda optimismo em relação ao futuro e acredita que a evolução deverá continuar.

“Daqui a 10 vai estar melhor do que hoje”, acrescentou.

A declaração coloca a discussão sobre o surgimento de novos talentos para além da figura individual do artista. Para Anna Joyce, o aparecimento de mais cantores de referência depende da existência de uma indústria capaz de identificar talentos, formar profissionais, financiar projectos e criar oportunidades.

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