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Reeleição de Paul Biya de 92 anos reacende protestos nos Camarões: "juventude perde a paciência"

Os protestos multiplicam-se nos Camarões após a reeleição de Paul Biya, de 92 anos, o presidente mais velho do mundo em exercício. As manifestações começaram logo após o anúncio dos resultados das eleições de 12 de Outubro, que deram a Biya 53% dos votos, contra 34% do líder da oposição, Tchiroma Bakary, que contesta a legitimidade do processo.

Milhares de jovens ocuparam as ruas de Yaoundé e Douala exigindo mudança e denunciando o que consideram ser uma fraude eleitoral. O governo respondeu com uma forte repressão policial e ameaças judiciais contra Bakary, acusado de incitar à violência.

Desde o início dos protestos, pelo menos quatro pessoas foram mortas em confrontos com as forças de segurança. As manifestações concentraram-se sobretudo nas grandes cidades e nas zonas anglófonas, onde o ressentimento contra o regime é mais profundo, após décadas de marginalização política e económica.

Paul Biya está no poder desde 1982, e o seu governo tem sido frequentemente acusado de autoritarismo, corrupção e manipulação eleitoral. A nova reeleição, que lhe garante o oitavo mandato consecutivo, reacendeu as tensões num país já fragilizado por conflitos internos, desigualdades regionais e ataques do grupo jihadista Boko Haram.

A oposição exige novas eleições sob supervisão internacional, enquanto o regime insiste na legalidade do processo. Organizações como as Nações Unidas e a União Africana apelaram à contenção, mas o ambiente político continua tenso e imprevisível.

Mais de quatro décadas depois, Paul Biya continua a ser o rosto de um poder que resiste ao tempo e à pressão popular, num país onde a juventude começa a perder a paciência com o que chama de “democracia sem alternância”.

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