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Sociedade civil pede à PGR que investigue origem dos 6 milhões para jogo Angola–Argentina: "Eu ouvi o PR..."

A sociedade civil angolana exige à Procuradoria-Geral da República que investigue a origem dos cerca de 6 milhões de dólares destinados ao pagamento da Federação Argentina de Futebol, para o amistoso entre Angola e Argentina, previsto para 14 de novembro, em Luanda, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional.


A controvérsia começou quando
Bento Kangamba, empresário e político, afirmou publicamente ter sido um dos três empresários orientados pelo Presidente da República a financiar a vinda da seleção argentina. “Eu estive lá, ouvi o Presidente a orientar três empresários para encontrar formas de conseguir patrocinar este evento, um dos empresários sou eu”, disse Kangamba.

Mas a declaração foi imediatamente contestada. Serra Bango, presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), negou que o Chefe de Estado tivesse dado essa orientação e lembrou: “Na altura do anúncio deste jogo, o Presidente João Lourenço, como líder do MPLA, disse que apenas o Governo ou o partido poderiam convidar e trazer o Messi a Angola”.

Salvador Freire, da Associação Mãos Livres, levantou suspeitas sobre a origem do montante milionário: “Todos nós, angolanos, sabemos que Bento Kangamba não tem capacidade para mandar vir uma equipa nacional, porque não sabemos a origem do dinheiro”.

Face à polémica, o próprio Kangamba apelou à transparência. “O Governo tem de esclarecer que a vinda da Argentina é através de empresários que patrocinam o evento. O povo precisa saber isso”, afirmou.

A Mãos Livres e outras organizações da sociedade civil defendem que cabe à Procuradoria-Geral da República esclarecer a proveniência dos fundos e dissipar dúvidas sobre o financiamento da partida, que divide opiniões num momento simbólico da história nacional.

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