As ações filantrópicas realizadas por influenciadores e cidadãos estrangeiros, sobretudo brasileiros, em comunidades vulneráveis de Angola continuam a dividir opiniões entre artistas, influenciadores e figuras públicas angolanas, alimentando um debate intenso nas redes sociais.
Entre as vozes favoráveis, o influenciador angolano Jordão Neto classificou as críticas como hipócritas e defendeu que o impacto concreto deve ser o principal critério de avaliação. “Não importa se vieram fazer conteúdo, desde que estejam a ajudar”, afirmou, sublinhando que crianças que antes dormiam no chão passaram a ter camas, alimentação, médico e melhores condições de vida. Jordão Neto acrescentou que Angola já ajudou outros países africanos e questionou por que razão a ajuda externa seria rejeitada quando direcionada ao país.
A ex-Miss Angola Maria Cunha reforçou essa posição, defendendo a visibilidade como ferramenta de transformação social. “Já passou o tempo em que o silêncio era sinal de verdade. Hoje, mostrar é necessário para que mais pessoas ajudem”, escreveu. Para Maria Cunha, não se pode mostrar apenas o lado bonito de Angola quando há comunidades a viver em situação de sobrevivência diária. “Mostrar essa realidade não é atacar o país. É pedir mudança”, afirmou.
Já a modelo luso-angolana Sharam Diniz apresentou uma perspetiva mais crítica sobre a forma como essas ações são comunicadas. Embora reconheça a importância da ajuda, alertou para o risco de narrativas desnecessárias e ofensivas. “Todos nós queremos que a ajuda seja feita e melhorias aconteçam, mas ao mesmo tempo não se coloque a questão de forma perturbadora”, disse, criticando comparações e discursos que reforçam estigmas.
Sharam Diniz destacou ainda que “África é um continente. Quando se faz uma ação solidária, é normal saber o nome do país e não generalizar”, afirmou, lembrando que a fome não é uma realidade exclusiva de África e que situações semelhantes também existem no Brasil.
Em meio à polémica, o artista angolano C4 Pedro partilhou um vídeo que retrata bairros pobres no Brasil, reforçando a ideia de que a fome e a exclusão social são problemas globais.
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