A inclusão de Angola na lista de países sujeitos a restrições de entrada nos Estados Unidos, decidida durante a administração de Donald Trump, contrasta com o reconhecimento político expresso pelo antigo Presidente norte-americano, Joe Biden, que classificou Angola como o país mais importante para os EUA em África.
De acordo com informações avançadas pela agência Reuters, Donald Trump já havia sinalizado, em Junho, a intenção de alargar a lista de países com restrições migratórias, inicialmente composta por 12 Estados, para incluir mais 36 países, entre os quais Angola, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. A decisão baseou-se em alegações de segurança nacional sustentadas por documentos internos do Departamento de Estado norte-americano.
As medidas foram reforçadas após um ataque ocorrido em Novembro, em Washington, envolvendo um requerente de asilo e membros da Guarda Nacional, episódio que levou Trump a assinar uma ordem executiva impondo proibições totais e restrições parciais à entrada de cidadãos de vários países africanos, asiáticos e do Médio Oriente. Angola foi incluída no grupo de países sujeitos a limitações parciais.
A presença de Angola nesta lista surge em contraste com a posição assumida por Joe Biden, que, numa declaração feita na Casa Branca, afirmou que “em África, para os Estados Unidos da América, não há país mais importante que Angola”, destacando o papel estratégico do país nas relações diplomáticas, económicas e de segurança na região.
Apesar do reconhecimento estratégico, as restrições migratórias herdadas de decisões anteriores reflectem divergências entre o discurso político e as práticas administrativas adoptadas em diferentes momentos da política externa norte-americana, mantendo Angola num quadro ambíguo entre parceria privilegiada e limitações à mobilidade dos seus cidadãos
