O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, recentemente reeleito para a presidência do maior partido na oposição, traçou um cenário sombrio sobre a realidade política e social de Angola numa entrevista detalhada ao Novo Jornal. Durante a conversa, o político afirmou que o país vive hoje um "espaço pior" no que toca às liberdades fundamentais, sublinhando que o simples ato de convocar uma manifestação passou a ser encarado com tamanha hostilidade que os organizadores correm o risco de ser apelidados de terroristas.
Para o presidente da UNITA, existe um claro retrocesso democrático, agravado pelo que descreve como a captura das instituições de justiça pelo poder instituído. Adalberto Costa Júnior defende que a pluralidade democrática e o debate contraditório, embora praticados internamente no seu partido, encontram barreiras severas no atual contexto nacional. A crítica estende-se à forma como as vozes dissidentes são tratadas, apontando para uma narrativa de criminalização do protesto social.
No plano social e económico, o líder da oposição não poupou críticas à gestão do Executivo, destacando os níveis de pobreza extrema que assolam a população. ACJ referiu que o baixo investimento em sectores vitais, como a educação e a saúde, tem empurrado os angolanos para um êxodo sem precedentes em direção à Europa. Na sua visão, o Orçamento Geral do Estado continua a falhar nas prioridades, mantendo o país num ciclo de subdesenvolvimento que ignora as necessidades reais das comunidades.
A nível internacional, a incursão de Adalberto Costa Júnior incluiu uma análise ao papel de Angola na União Africana e à instabilidade no continente. O político criticou a postura da diplomacia angolana face aos sucessivos golpes constitucionais e militares em África, sugerindo que falta coerência e firmeza na defesa dos princípios democráticos. Esta entrevista, dividida em várias partes, serve como um alerta para os desafios que Angola enfrenta na manutenção da paz social e do Estado de Direito.