As autoridades de transição da Guiné-Bissau classificaram Angola como um país que realiza eleições “fraudulentas” e mantém uma “democracia de fachada”, reagindo às declarações do Presidente João Lourenço durante a 39.ª Cimeira da União Africana, realizada no fim de semana em Adis Abeba.
Na cimeira, a União Africana suspendeu a Guiné-Bissau após o golpe militar ocorrido em novembro de 2025. João Lourenço condenou as mudanças inconstitucionais de governo no espaço da organização, posição também apoiada pelo Presidente de Cabo Verde.
Em resposta, o Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau divulgou um comunicado, lido pelo porta-voz Fernando Vaz e transmitido pela imprensa local, criticando o que designou como “postura de determinados chefes de Estado que, sob a capa de uma falsa diplomacia, tentam dar lições de moral e democracia”.
O comunicado aponta dois alegados “paradoxos” atribuídos ao Presidente angolano: o “golpe das urnas” e o “golpe das armas”. Segundo o CNT, eleições consideradas fraudulentas constituem, por si só, “golpes constitucionais”, defendendo que, em Angola, a transparência eleitoral teria sido comprometida.
As autoridades guineenses afirmam ainda que Angola mantém uma “fachada democrática para consumo externo” e sustentam que nenhum país pode dar lições de democracia enquanto enfrenta questionamentos internos sobre legitimidade eleitoral.
O documento também menciona Cabo Verde, sugerindo que o país deve concentrar-se nas suas próprias questões internas.
Até ao momento, não houve posicionamento oficial por parte da Presidência da República de Angola relativamente às acusações feitas pelas autoridades de transição da Guiné-Bissau.