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Sexóloga Paula dos Santos defende educação sexual baseada em evidências e critica propagação de mitos nas redes sociais

A sexóloga clínica Paula dos Santos alertou para os perigos da desinformação sobre sexualidade nas redes sociais, defendendo que a divulgação de conteúdos sem fundamento científico pode ter impactos negativos na saúde pública, na prevenção da violência sexual e na proteção dos direitos humanos.

Num texto publicado nas redes sociais, Paula dos Santos pediu respeito pela sua formação académica e experiência profissional. A especialista criticou os conteúdos produzidos por pessoas sem formação na área e lembrou que a Sexologia Clínica é uma disciplina científica e não um conjunto de opiniões pessoais ou crenças populares.

Entre os exemplos apontados, rejeitou afirmações generalistas como a ideia de que "toda mulher fica excitada quando bebe", "toda mulher sonha em fazer sexo com dois homens" ou "toda mulher gosta de pénis grandes", defendendo que a resposta sexual humana resulta da interação de fatores biológicos, psicológicos, emocionais, relacionais, culturais e sociais.

Paula dos Santos advertiu que este tipo de desinformação pode contribuir para reforçar estereótipos de género, legitimar comportamentos abusivos e dificultar a compreensão de conceitos fundamentais como consentimento, autonomia corporal, desejo, prazer e responsabilidade.

A sexóloga destacou ainda que, num contexto marcado por elevados índices de violência sexual, abuso de crianças, gravidez precoce, infeções sexualmente transmissíveis e violência baseada no género, a educação sexual baseada em evidências deve ser encarada como uma estratégia de saúde pública.

No texto, alertou igualmente para o risco de discursos que possam alimentar a culpabilização das vítimas, sublinhando que o consumo de álcool nunca deve ser confundido com consentimento para a prática de atos sexuais.

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