O cantor angolano Landrick considera que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para a música, mas alerta para os riscos de uma dependência excessiva da tecnologia no processo de criação artística.
Em entrevista à Oku Saka, o artista classificou a inteligência artificial como uma “faca de dois gumes”, reconhecendo, por um lado, as vantagens que a ferramenta oferece e, por outro, a possibilidade de reduzir o esforço criativo dos músicos.
“Ela estuda o comportamento humano”
Landrick afirmou já ter ouvido músicas produzidas com recurso à inteligência artificial e destacou a qualidade de algumas das sugestões apresentadas pela tecnologia, particularmente ao nível da harmonia e da construção musical.
“Eu já ouvi algumas músicas feitas por IA. Em termos de sugestões, harmonia e sugestões muito bonitas”, afirmou o cantor, acrescentando que a tecnologia trabalha a partir de referências existentes.
Na sua perspectiva, a inteligência artificial consegue estudar padrões do comportamento humano e da produção musical já realizada, fazendo combinações que podem resultar em novas propostas sonoras.
O risco da dependência
Apesar de reconhecer essas possibilidades, Landrick diz estar preocupado com a forma como a tecnologia poderá influenciar os artistas, sobretudo os mais jovens.
“Eu tenho realmente preocupação que esta inteligência artificial vá deixar os artistas preguiçosos e menos criativos”, afirmou.
Para o cantor, a facilidade proporcionada pelas novas ferramentas não deve levar os músicos a abandonar os processos tradicionais de aprendizagem, experimentação e procura de inspiração.
“Façam mesmo o trabalho de essência”
Landrick defende que os artistas devem continuar a investir no trabalho desenvolvido dentro e fora do estúdio, mantendo contacto com diferentes fontes de conhecimento e experiências.
“Não se esqueçam, por favor, artistas, de estarem no estúdio, de ler, observar e pedir a Deus a inspiração e capacitação”, apelou.
O artista reforçou ainda a necessidade de os músicos não dependerem exclusivamente das ferramentas digitais. “Não fiquem só... façam mesmo o trabalho de campo, o trabalho de essência”, concluiu.