Oku Saka

Angola e União Africana marcam presença estratégica no primeiro dia do G20

O primeiro dia do G20 2025, na África do Sul, redefiniu a narrativa de poder global com enfoque na União Africana. África esteve no centro das atenções, reforçando a sua voz no palco internacional, enquanto Alemanha e África do Sul moldavam os discursos iniciais.

O dia começou com uma aliança simbólica: Friedrich Merz, da Alemanha, promoveu a narrativa de reformas para investimento, núcleo do Compact With Africa (CwA), enquanto Cyril Ramaphosa enfatizou a necessidade de crescimento soberano e participação activa do continente. “Não somos apenas observadores, queremos ser protagonistas”, declarou Ramaphosa à imprensa.

Ao contrário de encontros anteriores, os países africanos apresentaram uma frente unida. Angola, Zâmbia, Quénia, Egipto e Gana destacaram a importância da integração regional, reformas seletivas e atração de investimento privado. Com Angola e Zâmbia a aderirem oficialmente ao CwA, o mecanismo continental passa a englobar 15 países, aumentando a força política africana nas negociações do G20.

O enfoque do debate também mudou: a narrativa deixa de centrar-se em dívidas e crises passadas, e passa a priorizar crescimento económico, industrialização leve, energias verdes e criação de empregos. Esta mudança de enquadramento, ainda que sem efeitos imediatos, é estratégica e sinaliza uma África que quer ser tratada como parceira e não apenas como beneficiária de ajuda externa.

Angola, especificamente, adotou uma postura estratégica de soft power: destacou-se como país reformista, aderiu ao CwA no momento certo e aposta na energia e na estabilidade regional como moeda diplomática. Esta posição coloca o país entre Alemanha, União Africana e África do Sul, reforçando imagem de responsabilidade e cooperação internacional.

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