O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, liderou esta segunda-feira uma cerimónia militar no Forte Tiuna, em Caracas, onde prestou juramento perante militares e ministros, declarando empenho total na “vitória da Venezuela contra as ameaças e agressões do imperialismo”.
A espada, presenteada a Bolívar pela Câmara Municipal de Lima em 1825, após as batalhas de Junín e Ayacucho, foi exibida após ter sido transportada num carro de urna de vidro ao longo do Passeio Los Próceres. A mobilização homenageou as efemérides patrióticas que normalmente antecedem o desfile do Dia da Independência. Maduro descreveu a peça como “a espada da vitória da América do Sul”, sublinhando a dimensão simbólica que o chavismo atribui ao legado bolivariano.
Para além do seu valor histórico, a espada tornou-se um instrumento de diplomacia política no seio do chavismo. Tanto Hugo Chávez como Nicolás Maduro têm oferecido réplicas da peça a líderes considerados aliados estratégicos, incluindo Vladimir Putin, Bashar al-Assad, Muammar Kadhafi, Raúl Castro, Evo Morales e Cristina Fernández de Kirchner. Outras réplicas foram igualmente entregues a dirigentes que enfrentam sanções dos Estados Unidos, reforçando a narrativa anti-imperialista que caracteriza a política externa venezuelana.
Durante a celebração, o governo venezuelano voltou a condenar a designação norte-americana que classifica o chamado Cartel dos Sóis como grupo terrorista, qualificando a acusação como “invenção” e “manobra de desestabilização”. O contexto internacional permanece tenso, com episódios recentes de fricção entre Caracas e Washington, incluindo movimentações militares norte-americanas no Caribe. A cerimónia do bicentenário, marcada pela exaltação simbólica da figura de Bolívar, surge assim como mais um momento de afirmação política do governo de Maduro, combinando discurso nacionalista, contestação externa e reforço do imaginário chavista.
