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SINPROF e MEA duvidam que nova ministra consiga incluir todas as crianças no ensino até 2027

O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), Ademar Jinguma, afirmou que não acredita que a nova ministra da Educação consiga cumprir, em ano e meio, a meta de inserir todas as crianças no sistema de ensino, conforme orientado pelo Presidente da República.


“Não sei se a ministra conseguirá em ano e meio fazer aquilo que o próprio Presidente João Lourenço não fez em oito anos, porque, como a própria nova ministra sublinhou, ela é uma mera auxiliar”, declarou Jinguma, acrescentando que, embora exista abertura para diálogo institucional, “na educação não se fazem milagres da noite para o dia”.

O dirigente sindical defende que o elevado número de crianças fora da escola não se deve apenas ao crescimento demográfico, mas sobretudo à incapacidade estrutural do Executivo em responder às necessidades do sector. Segundo o SINPROF, Angola necessita de cerca de dez mil novas escolas, número que, de acordo com Jinguma, está longe de ser alcançado após dois mandatos presidenciais.

“Alguém acredita que quem não conseguiu construir duas mil escolas em oito anos vai construir mais duas mil em um ano e meio? Não vai conseguir”, afirmou, considerando o orçamento em execução insuficiente para uma expansão significativa da rede escolar.

Também o recém-eleito presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Simão Formiga, classificou a meta como “missão impossível”. O líder estudantil sustenta que a inclusão de mais de quatro milhões de crianças no sistema de ensino pressupõe a construção de novas escolas e a contratação de docentes, lembrando que o país carece de mais de 78 mil professores.

Formiga acrescenta que o combate à pobreza deve anteceder qualquer política de inclusão escolar, referindo que muitas crianças abandonam a escola para contribuir para o sustento familiar. O dirigente defende ainda maior atenção aos estudantes com deficiência visual e auditiva, que enfrentam dificuldades específicas no acesso ao ensino.

Tanto o SINPROF como o MEA manifestaram expectativa de que a nova ministra da Educação mantenha abertura ao diálogo com os parceiros sociais, numa fase considerada decisiva para o futuro do sector.

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