A Câmara de Comércio Angola–Moçambique esclareceu, em comunicado oficial, que não existe qualquer ranking internacional que classifique Moçambique como o “segundo país mais pobre do mundo”, contrariando informações recentemente divulgadas em alguns meios de comunicação.
Segundo a instituição, análises de organismos como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional baseiam-se em múltiplos indicadores económicos, incluindo o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o Rendimento Nacional Bruto (RNB) e os níveis de incidência da pobreza, variando conforme a metodologia adotada.O comunicado refere que cerca de 80% a 82% da população moçambicana vive com menos de 3,65 dólares por dia, em paridade de poder de compra, evidenciando desafios sociais relevantes. Acrescenta ainda que o coeficiente de Gini do país se situa próximo de 50, refletindo elevada desigualdade na distribuição do rendimento.
A instituição sublinha, no entanto, que o PIB per capita ajustado ao poder de compra de Moçambique varia entre 1.400 e 1.700 dólares, posicionando o país entre economias de baixo rendimento, mas sem ocupar, de forma consistente, as últimas posições a nível global.
Dados internacionais indicam que países como Sudão do Sul, Burundi, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Níger apresentam níveis de rendimento per capita inferiores de forma recorrente, segundo indicadores do Banco Mundial e do FMI.
A Câmara alerta que a utilização isolada de indicadores, como a taxa de pobreza, pode conduzir a interpretações imprecisas, defendendo uma análise que considere fatores estruturais, macroeconómicos e demográficos.
O comunicado destaca ainda que Moçambique enfrenta desafios como vulnerabilidade a choques climáticos e limitações fiscais, mas possui potencial de crescimento, nomeadamente no sector do gás natural liquefeito e em investimentos estruturantes.
A instituição reafirma o compromisso com a promoção de análises económicas baseadas em evidência, sublinhando que a divulgação de classificações simplificadas pode afetar a confiança dos investidores e a imagem internacional do país.
