A visita do Papa Leão XIV a Angola terminou sem incidentes e com um balanço globalmente positivo, mas o seu impacto dependerá da capacidade de transformação das mensagens deixadas.
Segundo o sacerdote, as palavras do Pontífice exigem continuidade e ação concreta. “As palavras do Santo Padre não são mágicas. Caberá agora à sociedade civil, academia e Igreja apropriarem-se dessas mensagens e começarem a fazer pressão ao Governo”, afirmou. Alertou ainda que, sem esse esforço, o impacto da visita poderá dissipar-se com o tempo.
Durante a sua passagem por Angola, o Papa abordou temas como desigualdades sociais, corrupção e concentração da riqueza, apelando à construção de uma sociedade mais justa. Para Celestino Epalanga, estas mensagens refletem a realidade do país. “Tudo o que o Papa disse é o que nós vivemos neste país”, sublinhou.
O religioso apontou indicadores sociais preocupantes, como o facto de um terço da população viver abaixo do limiar da pobreza e cerca de nove milhões de crianças estarem fora do sistema de ensino. Referiu ainda problemas como malnutrição infantil e prostituição de menores, associando-os à falta de oportunidades educativas.
A crítica estendeu-se à gestão dos recursos públicos, defendendo que as receitas provenientes de recursos naturais deveriam ser canalizadas para infra-estruturas essenciais. “O dinheiro é tirado de Angola e muitas vezes vai parar a paraísos fiscais”, afirmou, questionando também os resultados do combate à corrupção anunciado pelo Executivo.
No plano político, a proximidade das eleições gerais de 2027 levanta preocupações quanto à estabilidade e transparência. Celestino Epalanga alertou para o risco de tensões sociais, considerando que, sem medidas preventivas, o país poderá enfrentar um cenário de conflito. “Se não nos precavermos, poderemos ter muita tensão e violência”, afirmou.
O sacerdote destacou ainda a necessidade de diálogo e o papel da juventude no processo político, sublinhando que o atual silêncio de alguns activistas não deve ser interpretado como ausência de contestação.
A visita papal colocou Angola no centro das atenções internacionais e reforçou mensagens de paz, justiça social e reconciliação. No entanto, segundo a CEAST, o verdadeiro teste começa agora, com a transformação dessas mensagens em políticas e ações concretas.