O cidadão russo Lev Matvevoch, acusado de espionagem e terrorismo em Angola, confirmou em tribunal ter mantido encontros com figuras políticas ligadas ao MPLA e à UNITA, no âmbito do processo conhecido como “caso russos”.
Entre os encontros mencionados, destacou reuniões com figuras como Higino Carneiro, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, Paulo Lukamba “Gato”, António Venâncio e Marcos Nhunga, realizadas em residências, restaurantes e espaços institucionais.
Lev Matvevoch negou, contudo, ter tido qualquer encontro com Adalberto da Costa Júnior.
O arguido explicou que atuava apenas como intérprete do compatriota Igor Rochin Mihailovich, a quem atribuiu a organização dos encontros e definição das agendas.
O processo envolve quatro arguidos, incluindo dois cidadãos russos e dois angolanos, acusados de crimes como espionagem, terrorismo, associação criminosa e corrupção.
Lev Matvevoch afirmou residir em Angola há 38 anos e ter exercido funções como professor na Escola Superior de Guerra das Forças Armadas Angolanas, destacando o seu percurso académico.
Apesar de admitir os encontros, o arguido rejeitou qualquer tentativa de financiamento a partidos políticos ou conspiração contra o Estado, afirmando que as reuniões tiveram carácter político e económico.
O julgamento prossegue na fase de produção de provas, considerada determinante para o esclarecimento dos factos e eventual responsabilização dos arguidos.
O caso continua a atrair atenção pública devido à sua dimensão política e às implicações em matéria de segurança nacional, num processo que envolve figuras e temas sensíveis da vida política angolana.
