O cantor angolano C4 Pedro defendeu uma visão mais ampla sobre o patriotismo e a identidade nacional, questionando as cobranças que recebe para falar uma língua nacional como condição para demonstrar o seu amor por Angola.
A posição foi apresentada durante a participação do artista no programa Jovens em Destaque, onde falou sobre a sua relação com o país, as críticas que recebe e a necessidade de os angolanos trabalharem juntos apesar das suas diferenças.
“Eu sou aquele angolano que mesmo mostrando o quanto amo essa terra ainda me é cobrado mais”, afirmou.
A questão do kikongo
Um dos pontos levantados pelo artista está relacionado com as línguas nacionais.
C4 Pedro afirmou que é frequentemente cobrado por não falar kikongo, mas questionou a pertinência dessa exigência quando considera que parte das pessoas que pretende alcançar com a sua mensagem não domina necessariamente essa língua.
“Me cobram que eu fale kikongo como se os que precisam ouvir a minha mensagem falassem kikongo”, declarou.
A afirmação surge num contexto mais amplo de discussão sobre identidade cultural em Angola, país marcado por uma grande diversidade linguística e cultural.
Para o artista, a valorização das línguas nacionais e da identidade angolana não deveria transformar-se numa competição para determinar quem é mais ou menos angolano.
“Vamos desafiar quem é mais angolano”
Na sua intervenção, Nzamba Nkunku Mpetelo Messami defendeu uma espécie de competição positiva entre os cidadãos, baseada no contributo de cada um para o país.
“Vamos trabalhar juntos, vamos desafiar quem é mais angolano. Aí quem ganha, ganha de verdade, quem perde trabalha mais”, afirmou.
A ideia apresentada pelo músico coloca o patriotismo não apenas no campo da identidade, mas também no da acção.
Na perspectiva expressa pelo artista, demonstrar amor por Angola pode passar pela contribuição concreta para a sociedade, independentemente da origem, língua ou área de actuação de cada cidadão.
“É bom e fácil julgar-me”
C4 Pedro também abordou as críticas de que tem sido alvo e afirmou que não se incomoda com o julgamento público.
“É bom e fácil me julgar, eu também gosto de ser julgado”, disse.
O artista associou as críticas à capacidade de provocar discussão e afirmou que, num contexto em que uma pessoa se destaca por pensar ou agir de forma diferente, ser considerada “maluca” pode ser interpretado como sinal de que está a desafiar padrões estabelecidos.
“Num mundo de malucos quando um só é chamado de maluco esse deve ser visto como homem abençoado”, afirmou.
Ancestralidade e identidade
Na parte final da intervenção, C4 Pedro fez uma referência à forma como a ancestralidade é encarada actualmente.
“Num país onde a ancestralidade virou meme, eu não me importo de ser palhaço”, declarou.
A frase encerra uma intervenção em que o cantor procura defender a sua forma de expressar o amor por Angola, ao mesmo tempo que questiona determinados critérios utilizados para avaliar o patriotismo dos cidadãos.

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