A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé alertou esta segunda-feira, 02, para a grave situação social em Angola, destacando o crescimento da criminalidade e da prostituição associados à fome, pobreza e desemprego, com maior incidência entre jovens e nas áreas rurais.
O alerta foi feito pelo porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti, no encerramento da I Assembleia Plenária da organização, realizada em Luanda entre 25 de fevereiro e 2 de março. Segundo o responsável, o país enfrenta um flagelo social crescente que inclui elevados índices de abandono escolar e escassez de professores nas zonas rurais, comprometendo a formação das novas gerações.
Os bispos defendem que o Orçamento Geral do Estado deve priorizar a agricultura familiar como instrumento de geração de emprego e garantia de autossuficiência alimentar. De acordo com a CEAST, a ausência de políticas eficazes de incentivo à produção nacional mantém o país dependente de importações, enquanto parte da produção interna se perde por falta de escoamento.
A conferência episcopal criticou ainda os monopólios de importação, considerando que desincentivam a produção local, e alertou para a desflorestação acelerada, que contribui para o agravamento da pobreza e da insegurança alimentar. No domínio da educação, os bispos pedem a reconfiguração do sistema de ensino e melhor distribuição de concursos públicos para professores, garantindo cobertura nacional adequada.
No final da plenária, foi aprovada uma Nota Pastoral e definidos os preparativos para a visita do Papa Leão XIV a Angola, agendada para 18 a 21 de abril, além da organização da IV Jornada Nacional da Juventude e do III Simpósio Bíblico Internacional.
