O preço do petróleo voltou a ultrapassar a barreira dos 100 dólares, impulsionado pelo agravamento da tensão no Médio Oriente após ataques militares envolvendo Israel, Estados Unidos e Irão. A subida ocorre num contexto de instabilidade geopolítica que ameaça uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.
Na abertura da Bolsa de Chicago, este domingo, o barril de West Texas Intermediate (WTI) para entrega em abril subiu 13,84%, atingindo 103,48 dólares. Trata-se do valor mais elevado registado desde julho de 2022.
O Brent Crude, referência para vários mercados internacionais, também registou forte valorização, alcançando 101,9 dólares por barril, um aumento de 9,2% em comparação com os 92,69 dólares registados no fecho de sexta-feira. Na semana passada, o WTI acumulou uma subida de 36%, enquanto o Brent avançou 28%.
A escalada dos preços está diretamente associada ao agravamento do conflito regional após os ataques realizados a 28 de fevereiro contra o Irão. Em resposta, o país anunciou o encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de energia.
Estima-se que cerca de 20% da produção mundial de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito passem por aquele estreito, o que explica o impacto imediato da decisão iraniana nos mercados internacionais.
Após o fecho da rota, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases militares norte-americanas e infraestruturas em vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis também foram registados em Chipre e Turquia.
No plano político interno iraniano, a crise ganhou novos contornos com a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. O religioso sucede ao pai, Ali Khamenei, que morreu a 28 de fevereiro após os ataques atribuídos a forças israelitas e norte-americanas.
A escolha foi feita pela Assembleia de Peritos do Irão, órgão responsável pela designação da liderança máxima da República Islâmica. A evolução do conflito e a estabilidade do estreito de Ormuz continuam a ser fatores determinantes para os próximos movimentos do mercado global de energia.