A Assembleia Nacional de Angola registou esta quinta-feira um momento de elevada tensão política, marcado por uma troca de acusações entre deputados da UNITA e do MPLA, que levou à suspensão temporária da plenária.
O episódio teve início após declarações do deputado João Mpila Mossi Domingos, do MPLA, que evocou acontecimentos de 2002 relacionados com a morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi, sugerindo responsabilidades do partido. O parlamentar afirmou ainda que a UNITA “não vai vencer as eleições de 2027”.
As palavras provocaram reação imediata da bancada da UNITA, cujos deputados manifestaram indignação e responderam com acusações dirigidas ao MPLA, elevando o tom do debate e criando um ambiente de desordem no hemiciclo.
Perante o agravamento da situação, o presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, decidiu suspender temporariamente os trabalhos parlamentares, numa tentativa de restabelecer a ordem e acalmar os ânimos.
Durante a interrupção, o líder do parlamento reuniu-se com os chefes das bancadas parlamentares, tendo posteriormente retomado a sessão com um apelo ao respeito institucional e à necessidade de preservar o Parlamento como espaço de debate democrático.
Após o reatamento dos trabalhos, o deputado que esteve na origem do incidente pediu desculpas aos deputados da UNITA e aos militantes do partido, permitindo a continuidade da sessão.
O episódio expõe o nível de tensão política no Parlamento angolano, num contexto marcado pela aproximação de novos ciclos eleitorais e pelo agravamento do discurso entre as principais forças políticas do país.