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João Lourenço formaliza recandidatura ao MPLA com cinco candidatos na corrida e congresso marcado para dezembro

O deputado João de Almeida Martins, "Jú Martins", mandatário de João Lourenço, formalizou esta segunda-feira a recandidatura do actual Presidente do MPLA à liderança do partido, entregando 11.118 subscrições recolhidas junto de militantes nas 21 províncias, à subcomissão do 9.º Congresso Ordinário. O acto decorreu na sede nacional do partido, em Luanda. 


Falando à imprensa após o acto, o mandatário disse que não houve dificuldades na recolha de assinaturas, existindo um universo alargado de militantes disponíveis para subscrever a candidatura. Jú Martins salientou que a recandidatura de João Lourenço visa garantir "um fio condutor estratégico único" no partido até às eleições de 2027, sublinhando que "ser candidato do MPLA à Presidência da República não é quem quer, é quem o MPLA julgue ser o melhor."

A subcomissão de candidaturas do 9.º Congresso Ordinário do MPLA já confirmou a recepção de três outras candidaturas à presidência do partido: as de Higino Carneiro, José Carlos de Almeida e António Venâncio. Irene Neto não descartou a hipótese de entrar na corrida, tendo manifestado essa possibilidade em entrevista ao Novo Jornal. A sua equipa trabalha na elaboração de um manifesto político e na mobilização de apoios, com destaque para as províncias de Luanda e Benguela. 

Para concorrer à presidência do partido, os candidatos devem reunir o apoio de pelo menos 5.000 militantes, distribuídos por todas as províncias do país, garantindo uma base de suporte geograficamente representativa da estrutura nacional. O regulamento exige ainda tempo mínimo de militância, que varia conforme o cargo em disputa. 

Um elemento estatutário central para compreender o peso deste congresso é a alteração introduzida em dezembro de 2024. No VIII Congresso Extraordinário, o MPLA aprovou a alteração ao artigo 120.º dos seus estatutos: o candidato a Presidente da República pelo partido passou a ser indicado pelo Comité Central por proposta do Bureau Político, e deixou de ser automaticamente o presidente do partido. Esta revisão removeu a obrigatoriedade de o presidente do partido ser o candidato a Presidente da República. 

A mudança estatutária tem implicações directas para o processo de sucessão. João Lourenço, impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato presidencial em 2027, poderá permanecer na liderança do MPLA enquanto o partido escolhe, por via dos seus órgãos internos, o nome que encabeçará a lista às eleições gerais. Críticos apontam que esta alteração transfere ao líder do MPLA poderes inéditos, incluindo o controlo directo do processo de indicação de candidatos à Presidência da República.

O congresso está agendado para os dias 9 e 10 de dezembro de 2026, no Complexo "MPLA: Compromisso com o Povo e Confiança no Futuro", em Luanda. Os processos de candidatura seguem agora para a fase de avaliação e validação por parte da subcomissão, condição indispensável para que os candidatos possam ser oficialmente admitidos à disputa e submetidos à votação dos delegados no congresso eletivo. 


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