O cidadão russo Igor Rochin Mihailovich, um dos principais arguidos num processo que envolve acusações de espionagem, terrorismo e financiamento ao terrorismo em Angola, afirmou esta quarta-feira em tribunal que veio ao país apenas para investir na área cultural, negando qualquer ligação ao grupo paramilitar Wagner.
O arguido disse ter ficado surpreendido com a sua detenção pelas autoridades angolanas em Agosto de 2025 e apresentou-se como proprietário da empresa russa “JK-AIST”.
Segundo explicou ao tribunal, todas as actividades desenvolvidas em Angola estavam relacionadas com o processo de investimento e conhecimento do ambiente político, económico e cultural do país.
Mihailovich confirmou igualmente ter efectuado transferências monetárias para várias pessoas em Angola, incluindo figuras ligadas ao MPLA e à UNITA.
O arguido admitiu ter entregue mais de dois milhões de kwanzas a um empresário ligado ao MPLA para obtenção de visto de trabalho e afirmou ter suportado despesas de alimentação e alojamento em encontros realizados com Higino Carneiro, António Venâncio, Julião Mateus Paulo e o governador de Malanje, Marcos Nhunga.
Questionado sobre um encontro com Adalberto Costa Júnior, Mihailovich confirmou que a reunião aconteceu, mas negou qualquer entrega de dinheiro ao líder da oposição.
Segundo o arguido, as conversas com figuras políticas angolanas abordaram temas relacionados com negócios, política e o contexto eleitoral, sempre numa perspectiva de investidor, rejeitando qualquer plano para derrubar o actual Governo angolano.
As declarações coincidem com o depoimento do também arguido russo Lev Matvevoch, que confirmou encontros semelhantes com responsáveis políticos angolanos, igualmente apresentados como reuniões de negócios.
O tribunal decidiu não arrolar, nesta fase, Adalberto Costa Júnior, Higino Carneiro, António Venâncio e Dino Matrosse como declarantes, embora não tenha descartado a possibilidade de os convocar futuramente caso considere necessário.
No processo respondem ainda os cidadãos angolanos Amor Carlos Tomé e Oliveira Francisco.
Os arguidos enfrentam acusações de espionagem, terrorismo, financiamento ao terrorismo, corrupção, tráfico de influência, falsificação de documentos e introdução ilícita de moeda estrangeira em Angola.
Fonte: NJ